Durante a sessão histórica do STF (Supremo Tribunal Federal) que ocorre nesta terça-feira (15), o ministro Edson Fachin, presidente da Corte, negou ter visto um vídeo do comediante Fábio Porchat ao ser questionado sobre a publicação pelo ministro Flávio Dino.
No último sábado (10), o humorista publicou um vídeo ironizando a rotina de jornalistas diante dos desdobramentos das investigações do caso Master e da crise interna no STF.
Na gravação, o comediante aparece deitado em uma cama, encenando um jornalista e fazendo um “suposto desabafo”, após o ministro André Mendonça, do STF, fazer a retirada de sigilo dos documentos do inquérito que investiga o caso, na última quinta-feira (10).
Ao ser questionado sobre ter assistido ao conteúdo, Fachin declarou à Dino que estava ocupado lendo documentos relacionados aos acontecimentos envolvendo a Corte. Veja o diálogo:
Edson Fachin: “Aliás, nesses últimos dias houve uma enxurrada de expediente…”
Flávio Dino: “Vossa Excelência viu o vídeo do Fábio Porchat?”
Edson Fachin: “Não…”
Flávio Dino: “É um vídeo muito bom, porque nós estamos parecidos. Eu cheguei atrasado porque eu estava decretando prisão de gente, porque é tanta petição, presidente. Mas é bom o senhor ver o vídeo”.
Edson Fachin: “Eu não tive tempo, eu estou vendo os ofícios que chegaram… Que são hemorrágicos.”
Sessão histórica
A sessão do STF, considerada histórica, ocorre para analisar o relatório da PF (Polícia Federal) que reúne mensagens e outros registros usados pela corporação para apontar uma relação próxima entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Antes de discutir se o conteúdo justifica a abertura de uma investigação contra Moraes, o plenário deverá se manifestar sobre o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para anular o relatório da Polícia Federal.
A Procuradoria argumenta que André Mendonça determinou a produção do documento sem que houvesse pedido prévio do Ministério Público ou da própria PF e sem submeter a medida anteriormente ao plenário.
Mesmo se a nulidade for acolhida, há ministros que avaliam que o STF poderá encerrar o caso sem avançar sobre o mérito das mensagens. Outros, porém, entendem que, mesmo nessa hipótese, os elementos já conhecidos podem ser discutidos para decidir se uma nova investigação deve ou não ser aberta.
A sessão desta terça ocorre em meio a uma tensão na Corte, com trocas de ofícios entre ministros, disputa pelo acesso às provas e questionamentos sobre a condução das investigações feitas pelo ministro André Mendonça.
Antes da sessão, ministros debateram, internamente, sobre quais documentos deveriam estar disponíveis para análise prévia.
Na segunda (14), a PF informou que entregou cópias dos dados extraídos do aparelho celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.
Também na segunda, Mendonça também retirou o sigilo de um processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master.

