O comentarista da CNN José Eduardo Cardozo e o empresário Leonardo Bortoletto debateram, na terça-feira (4), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se os “EUA revogarem visto de embaixadora do Brasil abala Lula?”
O visto da embaixadora do Brasil em Washington foi revogado pelos Estados Unidos na terça-feira, em meio a um crescente impasse diplomático entre os dois países. Segundo as informações apuradas, os Estados Unidos sinalizaram que podem devolver o visto à embaixadora caso o governo brasileiro conceda aval para Daniel Pérez, indicado do governo americano para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil.
No entanto, o governo brasileiro afirmou que pretende conduzir uma análise criteriosa e sem pressa antes de se manifestar sobre a indicação. Em nota, a Secretaria de Comunicação da Presidência afirmou que a decisão dos Estados Unidos sobre o visto da embaixadora “não é um fato isolado” e que faz parte de “uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil por motivações ideológicas”. A declaração oficial reforça a postura do governo de resistência às pressões externas.
Debate sobre responsabilidades e soberania
José Eduardo Cardozo avaliou que o Brasil mantém uma relação histórica e cordial com os Estados Unidos e que a balança comercial entre os dois países é favorável aos americanos. Para ele, a situação atual representa uma postura intervencionista que desrespeita a soberania brasileira. “Ele é o agressor. O Brasil é o agredido”, afirmou Cardozo, referindo-se a Donald Trump.
Cardozo, por sua vez, reiterou que o que está abalado não é a relação entre os países, mas sim a postura do governo americano, que, segundo ele, “desrespeita a soberania dos países”. Ambos concordaram que sempre há espaço para a diplomacia técnica atuar na busca por uma solução.
Já Leonardo Bortoletto demonstrou otimismo quanto à possibilidade de recuperação das relações bilaterais. “Eu nunca vou dizer que está azedado a tal ponto a relação entre dois países da grandeza dos Estados Unidos e do Brasil”, afirmou. Segundo ele, os interesses econômicos e diplomáticos históricos entre as duas nações são maiores do que os conflitos conjunturais.
Bortoletto defendeu que a responsabilidade pela tensão diplomática é compartilhada. “Os dois, nitidamente os dois”, disse Bortoletto ao ser questionado sobre quem seria o culpado pela crise. Para ele, trazer a questão ideológica para o campo diplomático é um erro de ambas as partes.

