Os comentaristas da CNN José Eduardo Cardozo e Vinicius Poit debateram, na segunda-feira (27), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se a “posição de Milei pode impactar eleição no Brasil”.
Javier Milei esteve no Brasil para participar da convenção nacional do PL, evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Durante o evento, o líder argentino criticou duramente autoridades brasileiras, incluindo membros da Suprema Corte, e afirmou que Flávio é “o único capaz de vencer Lula”. As declarações repercutiram amplamente e geraram debate sobre seus possíveis impactos nas relações diplomáticas entre Brasil e Argentina e no cenário eleitoral brasileiro.
O governo argentino, segundo apurações da CNN, não pretende pedir desculpas pelas falas de Milei. Já o governo brasileiro teria interpretado a visita como parte de uma ação orquestrada entre a Argentina e Donald Trump contra as eleições no Brasil. Questionado sobre as declarações, Lula reagiu com a pergunta “quem é esse cara?”, frase que também foi alvo de análise pelos comentaristas.
Impacto eleitoral limitado
Para José Eduardo Cardozo, o potencial de impacto da visita de Milei sobre a eleição brasileira é muito pequeno. Ele avaliou que a postura do líder argentino — ao atacar autoridades brasileiras em território nacional — configurou uma situação “absolutamente inusitada, deselegante e fora de qualquer antecedente de relações diplomáticas entre Brasil e Argentina”.
Cardozo pontuou que quem aprova esse estilo de comportamento já integra a base engajada de Flávio Bolsonaro, e que a atitude de Milei não seria capaz de conquistar votos de eleitores indecisos ou moderados.
Cardozo acrescentou que Flávio Bolsonaro havia tentado, desde o início de sua campanha, construir uma imagem distinta da de seu pai, Jair Bolsonaro, apresentando-se como uma alternativa mais moderada. Ao endossar a presença e o discurso de Milei, essa estratégia teria sido comprometida.
“Atitudes e comportamentos dessa natureza afastam de Flávio a imagem de ponderação que ele tenta construir”, afirmou o comentarista. Para ele, eleitores que não gostam de Lula, mas também rejeitam o estilo bolsonarista, poderiam se afastar ainda mais de Flávio Bolsonaro diante desse episódio.
Visita tinha objetivo de engajar a base
Vinicius Poit concordou que o impacto da visita de Milei seria pequeno e dificilmente definiria qualquer eleição. Em sua análise, Milei não tinha a pretensão de conquistar votos do centro ou de eleitores moderados, mas sim de animar a base já engajada de Flávio Bolsonaro.
“Quem vai botar o próximo presidente da República aqui no Brasil é o povo brasileiro, não o Milei”, disse Poit. Ele avaliou que a forma como Milei se posicionou não foi adequada, mas reconheceu que o líder argentino cumpriu o papel de energizar os apoiadores mais entusiastas.
Poit também questionou a narrativa do governo brasileiro sobre suposta interferência estrangeira, lembrando que marqueteiros ligados ao PT teriam feito campanha para o opositor de Milei nas eleições argentinas, além de atuações em outros países da América Latina. “Por que um pode e o outro não pode?”, indagou o comentarista.
Sobre a crise diplomática, ambos os comentaristas concordaram que Brasil e Argentina têm a perder, já que os dois países são importantes parceiros comerciais. Poit sugeriu que a diplomacia deveria trabalhar para resolver a situação, em vez de escalar o conflito com novas declarações polêmicas de ambos os lados.

