Os vereadores Pedro Rousseff (PT-MG) e Kleber Ribeiro (PL-SP) debateram, na quarta-feira (3), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), quem deve temer uma possível delação de Vorcaro no caso Master?
A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entregou uma nova proposta de delação premiada à PF (Polícia Federal) e à PGR (Procuradoria-Geral da República). Fontes que tiveram acesso ao documento afirmaram que ele detalha o envolvimento de Vorcaro com autoridades dos Três Poderes e da oposição, segundo apuração do analista de Política da CNN Caio Junqueira.
A nova delação foi descrita como reformulada, ampliada e aprofundada em relação ao primeiro documento, que havia sido rejeitado pela Polícia Federal. A expectativa é de que a PF e a PGR respondam à proposta até o dia 12 de junho.
O que diz o novo documento
O novo texto da delação detalha melhor a relação de Vorcaro com pelo menos um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), integrantes da cúpula do Congresso, ministros do governo e lideranças da oposição. A mudança na estratégia se deve principalmente à saída do advogado José Luiz de Oliveira Lima, conhecido como Juca, da equipe de defesa de Vorcaro.
Segundo autoridades, ele teria adotado uma abordagem que não atingiria a Suprema Corte, justamente para tentar validar a delação.
Debate político sobre o caso
O vereador Pedro Rousseff (PT-MG) afirmou que o escândalo envolve, sobretudo, figuras da direita brasileira, citando uma série de nomes que, segundo ele, têm ligação com Vorcaro e o Banco Master.
Entre eles, mencionou o ex-governador do DF Ibaneis Rocha (MDB), o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e a Igreja Batista da Lagoinha.
Rousseff destacou ainda o pedido de R$ 130 milhões por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Vorcaro. “O escândalo do ‘Bolsomaster’ é o escândalo da direita”, afirmou. Ele acrescentou que a delação completa de Vorcaro poderia trazer consequências graves para a corrida eleitoral, inclusive para a pré-candidatura de Flávio à Presidência.
O vereador Kleber Ribeiro (PL-SP), por sua vez, contestou as afirmações e alegou que o escândalo teria raízes no PT da Bahia, citando ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Ribeiro também questionou encontros que, segundo ele, teriam ocorrido entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Vorcaro, incluindo negociações em torno da venda do banco. “Lula se reuniu com o Vorcaro pessoalmente em agendas extras”, disse.
Ele afirmou ainda que pessoas ligadas ao governo teriam demonstrado interesse na compra do banco. O vereador expressou preocupação com a segurança de Vorcaro, dizendo esperar que ele “não morra dentro da cadeia”.

