A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1 tramita no Senado sem agenda definida. Segundo apuração do analista de Política Pedro Venceslau, Davi Alcolumbre (União-AP) estaria insatisfeito com a pressão nas redes sociais sobre o andamento da pauta.
“Senadores que convivem com Davi Alcolumbre dizem que ele está incomodado, alguns dizem em desconfortável, e outros dizem que irritado“, afirmou Venceslau ao Hora H desta quarta-feira (10).
De acordo com o analista, o presidente do Senado vê essa pressão como uma “ação orquestrada” entre o governo, o PT e movimentos sociais. Essa pressão teria como objetivo que senadores mudem de posição em relação à PEC enviada pela Câmara dos Deputados.
Uma PEC alternativa, apresentada por Rogério Marinho (PL-RN) e chamada de “PEC das Horas Trabalhadas”, chegou a reunir rapidamente a adesão de 40 dos 81 senadores, incluindo o próprio Alcolumbre.
Venceslau lembrou que o projeto foi rapidamente encaminhado à CCJ do Senado. No entanto, após pressão popular e manifestações, alguns senadores retiraram o apoio à proposta.
Entre esses senadores estão Cleitinho, pré-candidato do Republicanos ao governo de Minas Gerais, e Romário (PL-RJ), que, segundo Venceslau, recuou do apoio diante do desgaste político junto à sua base eleitoral.
“O sentimento no Senado é de que muitos outros senadores, que ainda não se manifestaram, estão desconfortáveis e preocupados com o impacto eleitoral e com o ‘selo’ de ser um político contra uma folga a mais para o trabalhador“, destacou Venceslau.
O analista finalizou afirmando que nada disso “sensibilizou” Davi Alcolumbre, que não gosta de se se sentir pressionado. “Ele teria comunicado isso aos interlocutores do governo Lula, que quanto mais pressão, mais ele segura o projeto“, afirmou.

