A cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) manifestou publicamente apoio e confiança a Jaques Wagner após o senador se tornar alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima.
Parlamentares próximos ao senador com quem a analista de Política Isabel Mega entrou em contato foram enfáticos em suas declarações de apoio. “Eu confio no senador Jaques Wagner”, disse um parlamentar próximo, conforme relatado pela analista durante o Live CNN desta quinta-feira (18).
“A gente escuta um tom de defesa que eu sintetizaria como um ‘voto de confiança’ do PT. Isso foi muito bem exemplificado quando a gente teve uma fala do presidente do Partido [Edinho Silva], nas primeiras horas depois da deflagração dessa operação”, afirmou Mega.
A operação gerou forte impacto no cenário político em razão da relevância histórica de Jaques Wagner dentro do PT. “É uma figura importantíssima, do ‘coração’ do PT, primeiro governador do PT na Bahia, ocupou diversos cargos no governo”, observa a analista.
Essa importância do senador dentro do Partido confere à investigação um peso político considerável, especialmente em período próximo às eleições.
Por outro lado, de acordo com interlocutores ouvidos por Mega, a postura esperada de Lula será a de defender as investigações e defender que as apurações aconteçam “doa a quem doer”.
Essa posição, segundo a jornalista, se alinha a respostas que o presidente já adotou em outros episódios envolvendo escândalos que atingiram diretamente o governo.
“Só que dessa vez há uma carga muito pesada, considerando a figura de importância de Jaques Wagner, que é do círculo íntimo do próprio presidente Lula“, destacou Mega.
Possível afastamento do cargo
A questão sobre um eventual afastamento de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado também foi debatida. Uma das avaliações aponta que o próprio Wagner poderia se afastar da função enquanto se explica.
Interlocutores próximos de Lula avaliam porém que, dado o avançado estágio do calendário do Congresso Nacional e a proximidade com as eleições, uma mudança na liderança do governo no Senado seria, neste momento, pouco relevante.
“Ainda assim, é algo que o presidente Lula precisará resolver e o próprio senador Jaques Wagner poderia se colocar à disposição”, afirmou a analista.
Reação da oposição
O bolsonarismo, que também é alvo do escândalo envolvendo o Banco Master, aproveitou a operação para tentar associar o PT à imagem de corrupção. “Eles entendem que isso funcionou no passado e pode funcionar novamente“, destacou Mega.
Segundo a analista, a operação desta quinta dá um certo “conforto” à oposição, que busca criar uma equivalência entre os escândalos, argumentando que o caso Master teria origem no PT da Bahia.
O PT, por sua vez, trabalha para negar essa equivalência e rejeita qualquer tentativa de comparação com o que chamou de “bolsomaster”. O episódio movimenta intensamente os discursos de parlamentares tanto da direita quanto da esquerda.

