Um relatório de inteligência da Polícia Federal, ao qual a CNN Brasil teve acesso, aponta indício de que o ministro André Mendonça tenta “ampliar seu poder no Supremo Tribunal Federal” e que se encontra em “estratégia agressiva” de alteração da correlação de forças no Poder Judiciário.
O documento cita como exemplo o apoio de Mendonça à indicação à Suprema Corte do advogado-geral da União, Jorge Messias, que foi recusada pelo Senado Federal em abril deste ano. E coloca em dúvida se Mendonça apoiaria uma anistia aos envolvidos no episódio golpista do 08/01.
“A mais provável [explicação], no momento, é a de que esses movimentos integrem estratégia mais ampla do relator, com a intenção de ampliar seu poder no Supremo Tribunal Federal, a fim de aumentar as chances de fazer prosperar as visões de mundo do grupo político do qual faz parte”, observa.
O documento ainda aponta que Mendonça atua para enfraquecer “grupo de ministros que atuou firmemente em defesa da democracia”. A referência é aos integrantes da Primeira Turma da Suprema Corte, formada por Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Carmen Lúcia.
O documento aponta ainda que Mendonça afirmou em reuniões entender que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, “mantém proximidade inadequada” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). E que, por essa razão, “não seria possível confiar nele”.
“Até o momento não apontou fato concreto que denote atuação irregular. Na última reunião presencial, afirmou dispor de procedimento instaurado no bojo do qual se avalia eventual determinação de afastamento do diretor-geral”, afirmou.

