A federação formada por PT, PV e PCdoB anunciou, nesta terça-feira (27), apoio à reeleição do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara dos Deputados. A decisão foi comunicada em coletiva de imprensa na Casa, dois dias após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Com isso, as siglas se somam ao blocão do centrão que já tinha oficializado o apoio a Hugo, em uma articulação para isolar movimentos do PL (Partido Liberal) para tentar chegar à presidência da casa.
O bloco inclui siglas como União Brasil, PP, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania, Podemos, PSD e Solidariedade. No papel, Motta já tem maioria para ser reeleito. A eleição para a Câmara e Senado será em 1 de fevereiro de 2027.
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Frente ampla
Segundo os parlamentares, o apoio integra a construção de um bloco entre o campo da esquerda e o centro, com o objetivo de garantir governabilidade ao governo Lula e dar prioridade à pauta do Executivo na Câmara. Eles afirmaram que o acordo vale para os próximos quatro anos.
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), disse que o primeiro motivo da decisão é o resultado das urnas. Para ele, a aliança servirá para avançar a pauta do governo e as demandas “que o Brasil pediu nas ruas”.
“Essa composição é estratégica para os próximos quatro anos, para dar governabilidade ao governo do presidente Lula e avançar a pauta das nossas três bancadas”, afirmou.
O parlamentar também disse que o bloco com o centro é compatível com o que foi decidido pelo eleitor no domingo, mas não com a direita. Segundo ele, a ideia é mostrar à sociedade que quem foi derrotado nas urnas também não deve vencer na Câmara.
Movimento para isolar o PL
Em 2025, o grupo articulou um apoio maciço ao deputado paraibano, que resultou em 444 votos em uma coalizão de 17 partidos – entre eles, o PT e PL.
Para 2027, no entanto, o PL tem pretensão de disputar o comando da Casa diante da expressiva bancada de 121 parlamentares eleitos. Hugo Motta foi um aliado fiel ao presidente Lula durante toda a eleição e atuou para aprovar medidas do pacote eleitoral do governo.
Aliados de Hugo veem o deputado como uma peça-chave para Lula governar e apontam a característica de perfil moderado do parlamentar e a interlocução com os dois lados para aprovar matérias de interesse do Planalto.
Ajuste fiscal
Questionados sobre o tema, os parlamentares afirmaram que a federação não discute ajuste fiscal. A pergunta citou declaração do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, de que o assunto não estava em debate no governo nem na bancada, enquanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem defendido o envio de um projeto para equilibrar as contas.
Uczai disse que a prioridade da federação é ampliar direitos e responder às demandas da sociedade, com participação popular na definição do orçamento. Ele também afirmou que o governo já demonstrou responsabilidade fiscal nos últimos quatro anos.
A deputada Jandira Feghali (PCdoB) disse que a agenda apresentada por Lula, que inclui soberania digital, reindustrialização, ensino em tempo integral, tarifa zero e a criação do Ministério da Segurança Pública, é “incompatível” com os cortes. Segundo ela, há pressão do “capital financeiro” por redução de despesas, e parte do que é tratado como custo é, na verdade, investimento.

