Felipe Recondo, jornalista e pesquisador do STF (Supremo Tribunal Federal), avaliou, ao WW, que o futuro do STF (Supremo Tribunal Federal) pode ser diretamente influenciado pelo resultado eleitoral. A análise foi feita no contexto da ação movida por Alexandre de Moraes contra André Mendonça, na qual Moraes acusa Mendonça de improbidade e abuso.

Moraes “foi para o tudo ou nada”

Recondo interpretou a movimentação de Moraes como uma aposta calculada diante de uma situação de grande pressão.

“Se a gente olhar para a situação em que o ministro Alexandre de Moraes estava, a gente pode pensar o seguinte: o que ele tinha mais a perder? Eu acho que ele já estava numa situação em que ele talvez não tivesse lá muito mais a perder”, afirmou o especialista.

Para Recondo, Moraes teria usado o inquérito das fake news como instrumento de reação, tentando se manter de alguma forma equiparado a Mendonça dentro do Tribunal.

O pesquisador ainda avaliou que a ação pode representar uma tentativa de provocar divisão interna no Supremo.

“Eu acho que o ministro Alexandre de Moraes foi para o tudo ou nada porque talvez ele já não tivesse mais o que perder”, reforçou Recondo, acrescentando que agora será necessário observar como o presidente do Supremo reagirá à crise instalada.

Eleições como fator decisivo para o STF

O pesquisador foi enfático ao relacionar o desfecho eleitoral ao futuro da Corte. “Dependendo do resultado eleitoral, nós teremos o resultado também do futuro do Supremo”, afirmou Recondo.

Ele levantou cenários distintos: se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer, André Mendonça poderia ter um processo de impeachment aberto, especialmente com Davi Alcolumbre (União-AP) na presidência do Senado; já se Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vencer, o futuro de Alexandre de Moraes seria colocado em xeque.

Para o especialista, diante das graves acusações trocadas entre os dois ministros, dificilmente o Supremo seguirá com ambos dentro do tribunal.

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