Líderes de diferentes regiões e orientações políticas parabenizaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela reeleição conquistada no domingo (25) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). Os cumprimentos vieram de Pequim, Moscou, Nova Délhi e Bruxelas, de governos de esquerda como os de México e Espanha e de presidentes da direita sul-americana, como José Antonio Kast, do Chile, e Keiko Fujimori, do Peru. Do governo dos EUA, até a publicação desta reportagem, não havia chegado nenhum cumprimento.

A China, maior parceira comercial do Brasil desde 2009, se manifestou nesta segunda-feira (26) pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, na entrevista coletiva regular da chancelaria. “A China tomou conhecimento de que o Tribunal Superior Eleitoral do Brasil anunciou que o presidente Lula venceu o segundo turno das eleições gerais brasileiras e expressa suas felicitações”, disse.

Guo acrescentou que a nação asiática está “disposta a trabalhar com o Brasil para continuar avançando na construção de uma comunidade de futuro compartilhado entre China e Brasil”. O Kremlin também saudou a reeleição e elogiou a contribuição de Lula para as relações bilaterais e para o Brics.

Washington sem resposta

O presidente Donald Trump disse no domingo, antes do fim da votação, que acompanhava a eleição brasileira, mas não declarou apoio a nenhum dos candidatos. As relações entre os dois governos se deterioraram nos últimos meses com as tarifas impostas pela Casa Branca a produtos brasileiros e com a pressão americana contra o processo que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Aliado de Trump, o presidente da Argentina, Javier Milei, também não havia se manifestado sobre a vitória de Lula.

Flávio não aceitou o resultado e anunciou que pedirá a anulação da eleição. Donald Trump Jr., filho do presidente americano, criticou nas redes sociais a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar a votação por duas horas nas seções com eleitores ainda na fila.

Índia e Europa

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, chamou o petista de “caro amigo” e afirmou que aguarda “trabalhar de perto com ele para aprofundar ainda mais e expandir a multifacetada Parceria Estratégica Índia-Brasil”. “Juntos, continuaremos a fortalecer nossa cooperação em diversos setores, avançar as prioridades compartilhadas do Sul Global e trabalhar por um mundo mais inclusivo, equitativo e sustentável”, escreveu.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também tratou Lula como amigo. “A democracia e o multilateralismo venceram no Brasil. A parceria da Europa com o Brasil está florescendo. Permaneceremos ao seu lado nos anos vindouros”, publicou. Ela prometeu trabalhar “por um comércio livre e aberto. Uma ordem global baseada em regras. E fortes ambições pelo nosso clima”.

O presidente da França, Emmanuel Macron, defendeu reforçar a parceria estratégica entre os dois países. “A França e o Brasil têm muito a construir juntos. Diante dos grandes desafios do nosso tempo, reforcemos nossa parceria estratégica e façamos viver a amizade entre nossos dois países a serviço de um mundo mais justo”, escreveu. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, levou o resultado para a política doméstica: “Uma grande vitória para Lula! O que aconteceu no Brasil acontecerá na Espanha. A retomada progressista global acaba de começar”.

No continente, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que “as relações entre o Canadá e o Brasil avançaram graças à nossa parceria” e propôs fortalecê-las “criando novas oportunidades comerciais promissoras, protegendo o meio ambiente e garantindo maior prosperidade para nossas duas populações”. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, foi breve: “Viva a democracia, o povo brasileiro venceu. Parabéns, presidente Lula!”.

Direita sul-americana cumprimenta Lula

Kast, próximo da família Bolsonaro, telefonou para Lula. “Chile e Brasil têm um futuro promissor em comum, e continuaremos trabalhando em uma agenda que fortaleça as relações entre nossos países nas áreas de integração econômica e combate ao crime organizado na região”, afirmou após a conversa.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, disse que “Paraguai e Brasil compartilham uma agenda comum de integração e desenvolvimento”. Fujimori saudou o “povo brasileiro por esta jornada democrática” e citou o bicentenário das relações diplomáticas: “reafirmo nossa vontade de fortalecer nossa aliança estratégica, a integração, a cooperação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia que compartilhamos, em benefício de ambos os povos”.

O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, que apoiou Flávio na disputa, reconheceu a vitória de Lula e defendeu manter a cooperação entre os dois países apesar das diferenças políticas.

“Na campanha presidencial colombiana, o presidente Lula apoiou abertamente Iván Cepeda e eu ganhei. Na campanha brasileira, apoiei Bolsonaro e Lula ganhou. Nem Lula decide pelos colombianos nem eu decido pelos brasileiros. O POVO DECIDE!”, escreveu no X. “E quando o povo se pronuncia nas urnas, sua vontade é respeitada porque é sagrada. É nisso que consiste a democracia!”, acrescentou.

O presidente do Equador, Daniel Noboa, enviou “felicitações” ao petista e sustentou que “nossa região tem inimigos comuns, desafios compartilhados e muito a ganhar quando trabalhamos juntos”.

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