A convenção da federação União Progressista (União Brasil e PP), realizada nesta segunda-feira (20), na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), oficializou candidaturas para as eleições de 2026.
Na prática, porém, o evento teve uma função mais ampla: apresentar a configuração da coalizão que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) pretende liderar no estado durante a campanha eleitoral.
A federação confirmou apoio à tentativa de reeleição de Tarcísio ao governo paulista e à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Também oficializou Guilherme Derrite (PP), atual secretário da Segurança Pública, e André do Prado (PL), presidente da Alesp, como candidatos ao Senado, além de homologar 70 candidaturas à Câmara dos Deputados e 94 à Assembleia Legislativa.
Os discursos das principais lideranças indicaram que cada um desses nomes terá um papel específico na estratégia da direita paulista. Enquanto Tarcísio tenta transformar sua gestão em vitrine administrativa, Flávio busca usar São Paulo como principal base política de sua campanha presidencial.
Derrite leva para a disputa o discurso da segurança pública, André do Prado representa a articulação política no Legislativo e Ricardo Nunes, embora filiado ao MDB, aparece como elo entre a capital e o projeto estadual.

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O próprio Tarcísio resumiu essa construção ao afirmar que “o time está escalado” para a eleição. A expressão foi repetida ao pedir apoio para todos os candidatos da coligação e defender que a disputa passa pela formação de uma bancada robusta no Congresso, e não apenas pela eleição para o Palácio dos Bandeirantes.
A centralidade de Guilherme Derrite ficou evidente durante a convenção. O governador atribuiu ao secretário parte dos resultados obtidos na área de segurança, destacando a redução dos homicídios, dos roubos de carga e o combate à Cracolândia. Ao lançá-lo para o Senado, Tarcísio transforma esses indicadores em um dos principais ativos eleitorais do grupo.
André do Prado recebeu uma missão diferente. Nos discursos, foi apresentado como responsável por garantir sustentação política ao governo na Assembleia Legislativa e aprovar projetos considerados essenciais para a administração estadual. A candidatura ao Senado amplia esse papel para o plano nacional, reforçando a aposta em uma bancada alinhada ao Palácio dos Bandeirantes.
Ricardo Nunes também ocupou posição de destaque. Embora não integre a federação, foi citado por Tarcísio como parceiro estratégico desde a campanha municipal de 2024. O governador afirmou que a atuação conjunta entre estado e prefeitura serviu de aprendizado e apresentou o prefeito como uma liderança com papel relevante para a direita paulista nos próximos anos.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, aproveitou o evento para inserir a disputa paulista na campanha presidencial. O senador afirmou que a aliança construída em São Paulo pode servir de modelo para uma composição semelhante em âmbito nacional e defendeu que a federação União Progressista caminhe ao lado de sua candidatura. “Essa coalizão que foi montada aqui é uma grande inspiração para nós também no âmbito nacional”, disse.
O pré-candidato também procurou associar sua plataforma às políticas implementadas pelo governo paulista. Citou iniciativas como o Smart Sampa e a Muralha Paulista como programas que pretende expandir para todo o país e voltou a defender a classificação de PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas. Derrite foi apresentado como um dos nomes que darão continuidade a esse modelo na esfera federal.
Ao falar sobre a formação de um eventual governo, Flávio usou o próprio Tarcísio como exemplo. Disse que Jair Bolsonaro escolheu o atual governador para comandar o Ministério da Infraestrutura com base em critérios técnicos e afirmou que pretende seguir o mesmo método para selecionar seus ministros.
A convenção , portanto, deixou evidente uma estratégia eleitoral traçada pela centro-direita em São Paulo. Tarcísio busca transformar São Paulo no principal ativo político da direita em 2026, distribuindo funções entre aliados que dialogam com diferentes eleitorados, entre gestão, segurança pública, articulação legislativa, administração municipal e disputa presidencial.
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