O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca, nesta segunda-feira (15), na França para a reunião do G7 com uma agenda que vai além das discussões geopolíticas sobre Oriente Médio e Ucrânia.
A prioridade da delegação brasileira é conter duas frentes de pressão comercial que ameaçam exportações bilionárias do país: o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos e as novas restrições impostas pela União Europeia a produtos agropecuários brasileiros.
Nos bastidores, diplomatas trabalham para viabilizar um encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A reunião ainda não está confirmada, mas é considerada estratégica para tentar reverter ou reduzir a tarifa de 25% proposta pela Casa Branca sobre produtos brasileiros em 1º de junho.
A viagem também inclui reuniões bilaterais com o presidente francês, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.
Tentativa de frear o tarifaço dos EUA
O principal desafio imediato envolve a relação com Washington. Desde que o governo Trump passou a defender a aplicação de uma tarifa adicional de até 37,5% sobre importações brasileiras, o Planalto intensificou a articulação diplomática para evitar prejuízos às exportações nacionais.
Um encontro direto entre Lula e Trump poderia abrir espaço para negociações antes da eventual entrada em vigor das medidas. Auxiliares do presidente avaliam que a presença de ambos no G7 cria uma das raras oportunidades para uma conversa presencial desde o retorno do republicano à Casa Branca.
Carne no centro das negociações
Outra missão da comitiva brasileira é tentar reduzir os efeitos da decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países considerados compatíveis com suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária.
A medida, publicada no início de junho, pode impedir a exportação de carne brasileira para o bloco a partir de setembro.
O mercado europeu movimenta cerca de US$ 5 bilhões por ano em compras de produtos de origem animal do Brasil. O governo brasileiro busca convencer autoridades europeias a rever a decisão ou ampliar o prazo para adequação das exigências.
Nesse contexto, o encontro entre Lula e Macron ganha relevância adicional. A França é um dos países que mais pressionam por restrições ao agronegócio brasileiro dentro da União Europeia.
Comércio exterior domina agenda
Embora o G7 tenha como pauta oficial os conflitos internacionais e a segurança global, a equipe brasileira chega ao encontro com foco em questões comerciais.
A avaliação do governo é que a combinação entre tarifas americanas e restrições europeias pode afetar setores relevantes da pauta exportadora brasileira justamente em um momento de desaceleração da economia mundial.
Por isso, a estratégia é aproveitar as reuniões bilaterais para discutir temas específicos que dificilmente avançariam apenas nos debates multilaterais do grupo.
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