O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Marco Aurélio Bellizze determinou neste sábado que a Meta (M1TA34), dona das redes Instagram e Facebook, preste uma série de esclarecimentos sobre as dificuldades relatadas pela campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de impulsionar o seu conteúdo digital.
A coligação do petista moveu uma ação no TSE, acusando a Meta de fazer “seletividade algorítmica” e “restrição” de alcance às suas postagens, “omissão” na remoção de contas que usam inteligência artificial para atacar Lula, e manutenção de “conteúdos sintéticos” que são vedados pelo Tribunal. Por fim, a equipe pediu com caráter de urgência a restauração do padrão de distribuição de conteúdos, suspensão das restrições de entrega e remoção de contas “automatizadas e inautênticas”.
Diante da solicitação, o ministro do TSE deu um prazo de 48 horas para a Meta responder a seis questionamentos. São eles:
1) Preservação integral dos registros e mecanismos adotados pelas redes sociais na moderação de conteúdo, anúncios e métricas;
2) Detalhamento individualizado sobre as ações de moderação aplicadas desde 16 de agosto – início da campanha eleitoral;
3) Explicações sobre as supostas anomalias no cálculo da contagem de visualizações de postagens;
4) Razões para a desabilitação da conta de anúncios da campanha de Lula em 23 de setembro;
5) Esclarecimentos sobre se identificou ou apurou rede de perfis automatizados que faziam campanha para Flávio Bolsonaro e atacava Lula
6) Descrever a relação de canais e perfis dos presidenciáveis que foram excluídos do sistema devido às regras eleitorais
Em nota, a Meta afirmou que as alegações da campanha petista são “simplesmente falsas” e “não encontram respaldo nos fatos”.
“Muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas. Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos”, diz o texto da assessoria da empresa norte-americana.
Na manhã deste sábado (10), a campanha de Lula havia anunciado que acionaria o TSE e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) contra a Meta.
Em nota, a equipe do petista afirmou ter ficado impossibilitada de utilizar o recurso durante o período e questionou a empresa, que atribuiu o episódio a um problema técnico. O problema, de acordo com integrantes do PT, já foi solucionado.
“Desde o começo do dia de ontem, dia 9 de outubro, até a manhã de hoje, o perfil do presidente Lula foi impedido pela META de impulsionar conteúdos do feed no Instagram”, afirmou o comunicado. A campanha afirma que a modalidade de publicidade é parte da estratégia digital das candidaturas.
De acordo com a nota da campanha de Lula, a empresa não apresentou evidências de que o problema tenha atingido outros candidatos no Brasil. “Mais uma vez, afirma a Meta, foi um ‘problema técnico’”, diz o texto.
A campanha sustenta que o episódio faz parte de uma sequência de problemas envolvendo os perfis do presidente e de apoiadores nas plataformas da empresa durante a disputa eleitoral. Na avaliação da equipe petista, a repetição das falhas e a falta de transparência nas explicações levantam suspeitas de interferência no processo eleitoral em benefício do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno.
Esta não é a primeira vez que a campanha de Lula aponta interferência da empresa na disputa eleitoral. Em setembro, a equipe do petista já havia cobrado0 oficialmente explicações da Meta alegando que a conta de anúncios do candidato à reeleição no Facebook estava sob restrições. Segundo comunicado oficial do PT divulgado na época, o perfil oficial de Lula também chegou a ficar desabilitado na véspera.
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