A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir até o fim das eleições encontros com finalidade político-eleitoral entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados passou a ser tratada, nos bastidores da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como um novo fator de preocupação às vésperas das convenções partidárias.
Interlocutores do senador ouvidos pelo GLOBO afirmam que a medida dificulta justamente o momento em que Bolsonaro costuma arbitrar impasses internos, orientar negociações e dar a palavra final sobre decisões estratégicas da campanha presidencial.
A avaliação é que, embora parte das articulações estaduais já esteja encaminhada, a reta final antes das convenções concentra as definições mais sensíveis sobre candidaturas, alianças e composição dos palanques. Entre os 27 estados, Flávio ainda enfrenta pendências em dez. Segundo aliados, Bolsonaro continua exercendo papel central nesse processo e sua impossibilidade de participar de encontros políticos obrigará o PL a reorganizar a forma como essas negociações serão conduzidas.
Reservadamente, integrantes da campanha afirmam que diversas decisões continuavam sendo submetidas ao aval do ex-presidente antes de serem anunciadas e que a expectativa era contar com sua participação na fase final das negociações antes das convenções do partido, marcadas para a próxima semanal. O encontro nacional ocorre no dia 25.
Publicamente, a reação ficou a cargo do coordenador da pré-campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN). Em nota divulgada neste sábado, ele classificou a decisão como “extravagante, inusitada e sem precedentes” e afirmou que Alexandre de Moraes transforma “medidas judiciais em instrumentos de silenciamento político” ao restringir o contato de Bolsonaro com familiares e limitar sua comunicação com a sociedade.
Na sexta-feira, Moraes manteve a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro, mas endureceu as restrições impostas ao ex-presidente após concluir que ele descumpriu medidas cautelares ao elaborar uma carta de apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio, posteriormente lida pelo senador durante um evento político.
O ministro suspendeu por 30 dias as visitas sociais ao ex-presidente, preservando apenas atendimentos médicos, fisioterapêuticos e encontros com advogados. Além disso, determinou que, até o fim das eleições, ficam proibidas visitas com finalidade político-eleitoral e a divulgação de manifestos políticos produzidos por Bolsonaro, inclusive por intermédio de terceiros.
Michelle amplia influência nos bastidores
Além de alterar a dinâmica da campanha, aliados de Flávio avaliam que a decisão de Moraes também amplia a influência de Michelle Bolsonaro na interlocução com o ex-presidente.
Segundo interlocutores, a ex-primeira-dama tende a concentrar uma parcela ainda maior do contato cotidiano com Bolsonaro uma vez que os filhos estão impedidos de se reunir com ele. Por conta da carta, Flávio não poderá ver o pai por 90 dias. Os demais filhos, Carlos e Jair Renan, poderão voltar à casa do pai após o período de trinta dias, quando forem retomadas as visitas sociais.
O primeiro reflexo da nova rotina ocorreu neste sábado. Michelle não participou de um evento da vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), em Ceilândia, para permanecer ao lado do marido. A presença havia sido acertada antes do endurecimento das restrições impostas por Moraes.
O cenário ocorre em meio ao desgaste da relação entre Michelle e Flávio, aprofundado nas últimas semanas após a troca pública de críticas entre madrasta e enteado. Michelle publicou vídeos afirmando ter sido “humilhada” por Flávio, que declarou publicamente não ter mais relação com a madrasta.
The post Veto a encontros com Bolsonaro dificulta articulação de Flávio antes das convenções appeared first on InfoMoney.



