Os votos de Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos podem ganhar peso já na noite de domingo caso a eleição presidencial avance para o segundo turno. Mas a transferência desse eleitorado não ocorre de maneira automática — nem necessariamente segue a posição política dos candidatos.
É o que mostram os cruzamentos da Real Time Big Data apresentados por Bruno Soller, analista e sócio do instituto, durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.
Segundo Soller, os eleitores dos quatro candidatos apresentam graus diferentes de disposição para mudar o voto e também destinos distintos em uma eventual disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Entre eles, o eleitor de Zema é o que demonstra maior inclinação a abandonar seu candidato pelo chamado voto útil.
“A gente percebeu o eleitor do Zema o mais inclinado a mudar de voto”, afirmou Soller. Caso isso aconteça, segundo ele, a migração seria predominantemente em direção a Flávio Bolsonaro.

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Caiado pode dividir seus votos
O comportamento do eleitor de Ronaldo Caiado é menos uniforme. Soller afirma que a maior parte também apresenta predisposição a escolher Flávio em uma eventual segunda rodada. Uma parcela, porém, pode seguir outro caminho.
“O eleitor do Caiado tem uma predisposição maior para ir para o Flávio, mas o eleitor mais velho do Caiado pode até migrar para o Lula”, disse.
A leitura ajuda a mostrar por que não é possível simplesmente somar os percentuais dos candidatos identificados com a direita e transferir todo esse contingente para Flávio Bolsonaro. A decisão no segundo turno também passa pelo perfil de cada eleitor, pela rejeição aos dois finalistas e pela disposição de comparecer novamente às urnas.
Quem ficou com Cury pode se aproximar de Lula
O caso de Augusto Cury é diferente. Segundo Soller, o candidato recebeu ao longo da campanha eleitores que procuravam uma alternativa aos dois polos da disputa. Parte desse grupo teria circulado anteriormente por candidaturas como as de Caiado, Zema e Renan. O movimento começou a mudar à medida que a eleição voltou a se concentrar em Lula e Flávio.
Para o analista, uma parcela dos eleitores de Cury mais propensa a apoiar Flávio já deixou o candidato. Quem permaneceu apresentaria hoje características mais próximas da base eleitoral de Lula.
“O que sobrou com o Cury é o eleitor mais propenso a ir para o Lula”, afirmou.
Soller descreve esse grupo como formado, proporcionalmente, por eleitores mais velhos e de renda mais baixa, características que, segundo ele, também aparecem com maior frequência entre os apoiadores do petista.
Renan tem eleitor mais resistente
Entre os quatro candidatos, Renan Santos teria o eleitorado mais resistente à migração antes do primeiro turno. Soller caracteriza esse voto como mais afirmativo e de protesto, menos vinculado à divisão tradicional entre esquerda e direita.
“O do Renan é o que mais fica firme no Renan”, afirmou.
Caso Renan não avance, parte desse eleitorado poderia migrar para Lula, segundo a análise apresentada no programa. Outra parcela, porém, poderia optar por branco ou simplesmente não participar da escolha entre os dois finalistas.
“É um voto mais afirmativo, é um voto meio que contra tudo e contra todos. Não é um voto de posicionamento ideológico”, disse Soller.
Migração pode definir tamanho da disputa
A distribuição desses votos será especialmente relevante caso Lula e Flávio terminem o primeiro turno separados por uma margem pequena. Soller afirma que, quanto menor a diferença entre os dois, maior o peso dos eleitores dos candidatos eliminados na largada do segundo turno.
Na pesquisa Real Time Big Data discutida durante o programa, Lula aparecia com 46% dos votos válidos e Flávio com 41%, uma distância de cinco pontos.
Para o analista, uma diferença próxima desse patamar deixaria a disputa seguinte aberta. Se a vantagem do primeiro colocado cair para um, dois ou três pontos, a migração dos votos depositados nos demais candidatos ganharia peso ainda maior.
“Se o Lula vence as eleições agora no primeiro turno contra o Flávio com uma diferença de dois pontos percentuais, quando a gente olha aqueles outros votos que estão depositados nos outros candidatos, eles tendem muito mais a ir para o Flávio do que ir para o Lula”, afirmou.
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