A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (1º), revela um movimento que, à primeira vista, parece contraditório. A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuou ligeiramente em junho, mas seu desempenho eleitoral melhorou em relação ao principal adversário.
O levantamento indica que a aprovação passou de 47% em maio para 45,9% em junho, enquanto a desaprovação oscilou de 53% para 52,3%, dentro da margem de erro.

Apesar da estabilidade nos indicadores de governo, o petista ampliou vantagem sobre Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. No primeiro turno, Lula aparece com 46,3% das intenções de voto, contra 36,6% do senador. No segundo turno, passou de um empate numérico em maio (48% a 48%) para uma vantagem de 48,8% a 42,3%.
Os cruzamentos demográficos ajudam a entender esse comportamento do eleitorado. Em vez de uma mudança uniforme, Lula perdeu apoio em grupos onde tradicionalmente já tinha bom desempenho e ganhou espaço em segmentos considerados mais difíceis para o governo.
Evangélicos lideram mudança de cenário
A principal alteração ocorreu entre os evangélicos. Em maio, 25,1% desse grupo aprovavam o governo, enquanto 74,8% desaprovavam. Agora, a aprovação subiu para 33,7%, um avanço de 8,6 pontos percentuais. A desaprovação caiu para 66,2%.
O movimento coincide com outra mudança observada na própria pesquisa eleitoral. Flávio Bolsonaro perdeu cerca de oito pontos nas intenções de voto entre os evangélicos, enquanto Lula avançou nesse segmento.
A mudança acontece após semanas de turbulência na oposição, marcadas pela crise entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, liderança que exerce forte influência sobre o eleitorado religioso.

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Recortes
Outra mudança relevante aparece na região Sudeste. A aprovação do presidente caiu de 49,4% para 37,5%, enquanto a desaprovação subiu de 47,9% para 59,8%.
Já o Nordeste permaneceu como principal reduto eleitoral do presidente. A aprovação passou de 54,8% para 59,2%, enquanto a desaprovação recuou de 45% para 38,5%.
O grupo que apresentou a pior evolução para Lula foi o dos eleitores entre 16 e 24 anos. Nesse segmento, a aprovação caiu de 29,9% para 18,8%. A desaprovação avançou de 69,9% para 81,2%.
Também houve perda entre eleitores de menor renda. Entre famílias com renda de até R$ 2 mil mensais, a aprovação caiu de 49,4% para 37,2%, enquanto a desaprovação passou de 46,4% para 56%.
Em contrapartida, Lula ampliou apoio em segmentos de maior renda e escolaridade. Entre brasileiros com renda superior a R$ 10 mil, a aprovação passou de 56,1% para 51,9%, enquanto a desaprovação aumentou levemente. Já entre eleitores com ensino superior, a aprovação ficou praticamente estável, oscilando de 53% para 52,8%.
Rejeição segue trajetória diferente
Outro indicador que favorece Lula é a rejeição. Enquanto a rejeição ao presidente caiu de 50,6% para 48,6%, a de Flávio Bolsonaro subiu de 52% para 53%.
Os dados foram coletados após duas crises políticas importantes. No campo da oposição, Flávio enfrentou o desgaste provocado pela revelação de pedidos de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse e, na sequência, pela disputa pública com Michelle Bolsonaro em torno da montagem dos palanques estaduais do PL.
Já Lula atravessou o período após a Operação Compliance Zero, que atingiu o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), investigado por supostas relações com o Banco Master. Wagner nega irregularidades.
Embora a aprovação do governo tenha oscilado para baixo, os números sugerem que o desgaste recente da oposição teve maior impacto sobre a disputa presidencial do que os episódios envolvendo o Palácio do Planalto.
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg ouviu 4.999 eleitores entre os dias 26 e 30 de junho. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04582/2026.
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