O caso envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro produziu um efeito pouco comum em Brasília. Embora tenha provocado desgaste na candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o caso não se transformou em uma grande bandeira da oposição, nem em uma disputa aberta entre governo e adversários.

Para especialistas ouvidos no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, a explicação está na amplitude das relações construídas pelo banco nos últimos anos. Ao contrário de outros escândalos políticos, como o Mensalão ou a Operação Lava Jato, o caso Master desperta cautela em praticamente todos os grupos políticos.

“Há uma diferença importante entre esse episódio e outros grandes escândalos. No Mensalão ou na Lava Jato havia uma percepção de quem estava sendo atingido. No caso do Master, não. O banco construiu relações muito amplas em Brasília. Ninguém sabe exatamente até onde essa história pode chegar nem quem pode acabar sendo alcançado”, afirmou o cientista político Leonardo Barreto, no episódio desta sexta-feira (26).

Segundo ele, essa incerteza ajuda a explicar por que o tema perdeu espaço no debate político mesmo depois de provocar impactos nas pesquisas eleitorais.

Na avaliação do cientista, poucos atores têm incentivo para aprofundar uma discussão que pode atingir aliados ou abrir novas frentes de desgaste.

“O caso produz uma situação curiosa: muita gente prefere observar do que liderar o ataque. É um escândalo em que ninguém tem segurança para dizer que os desdobramentos ficarão restritos ao adversário”, disse.

O analista de política da XP João Paulo Machado observa que o efeito eleitoral do caso acabou sendo mais rápido do que sua exploração política.

Segundo ele, o episódio já cumpriu parte do papel de levantar dúvidas sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro, especialmente entre eleitores moderados, sem que houvesse necessidade de uma ofensiva permanente da oposição.

“A crise produziu um impacto inicial importante sobre a percepção de viabilidade da candidatura. Depois disso, ela entrou numa espécie de compasso de espera, em que todos acompanham os próximos fatos antes de decidir qual estratégia adotar”, afirmou.

Para os especialistas, essa dinâmica torna o caso Master diferente de outros escândalos recentes da política brasileira. Em vez de alimentar uma guerra aberta entre governo e oposição, o episódio passou a ser tratado com cautela pelos diferentes grupos de Brasília.

Isso não significa que o tema tenha perdido relevância. Pelo contrário. A avaliação é que seus efeitos dependerão menos do debate público e mais da evolução das investigações e do eventual surgimento de novos fatos.

O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.

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