A reta final das convenções partidárias, que se encerra nesta quarta-feira (5), consolida uma mudança importante na eleição presidencial de 2026. Se, há quatro anos, os candidatos ao Palácio do Planalto disputavam o apoio das principais legendas do Centrão para ampliar suas coligações, agora o movimento ocorreu na direção oposta.

Tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegam ao início oficial da campanha sem conseguir romper o isolamento de suas alianças originais.

A principal consequência dessa mudança é menos imediata para a campanha eleitoral e mais relevante para a governabilidade. Com partidos de grande bancada optando pela neutralidade, aumenta a possibilidade de que o próximo presidente assuma o cargo sem uma base parlamentar previamente consolidada, repetindo — e potencialmente ampliando — as dificuldades enfrentadas por Dilma Rousseff, Jair Bolsonaro e o próprio Lula 3 na relação com o Congresso.

Em 2022, o cenário era diferente. Lula conseguiu construir uma ampla frente política ao atrair Geraldo Alckmin para a vice-presidência e reunir, além do PT, PSB, PCdoB, PV, Solidariedade, Rede, PSOL, Agir, Avante e Pros. Jair Bolsonaro, por sua vez, contou com o apoio formal de PL, Republicanos e Progressistas, além de outras legendas alinhadas ao seu governo. Como resultado, apenas 69 deputados federais pertenciam a partidos que permaneceram fora da disputa presidencial.

Agora, o número deve saltar para 178 parlamentares, reflexo da decisão de legendas como MDB, PP, União Brasil e, ao que tudo indica, Republicanos de não embarcar oficialmente em nenhuma candidatura ao Planalto.

Lula preserva a frente de 2022

Mesmo ocupando a Presidência da República e mantendo uma ampla coalizão ministerial, Lula não conseguiu transformar a participação do Centrão no governo em apoio eleitoral.

Ao oficializar sua candidatura neste domingo (2), o petista repetiu praticamente a base da eleição anterior. A principal novidade foi a incorporação do PDT à coligação, enquanto Geraldo Alckmin permaneceu como candidato a vice pelo PSB.

Nos bastidores, integrantes do governo chegaram a discutir uma aproximação com o MDB. A hipótese, porém, perdeu força desde que Alckmin descartou abrir mão da vice-presidência para acomodar outra legenda. Sem oferecer espaço na chapa, a negociação esfriou antes mesmo de avançar.

Também não houve movimentos concretos para atrair União Brasil ou Republicanos, partidos que ocupam Ministérios importantes na Esplanada, mas preferiram preservar suas alianças estaduais.

Flávio esbarra na resistência do Centrão

Nas últimas semanas, o candidato do PL fez duas investidas para tentar romper o isolamento. A primeira foi o convite formal à senadora Tereza Cristina (PP-MS) para ocupar a vaga de vice. A ex-ministra da Agricultura aceitou discutir a composição, mas a direção nacional do Progressistas reafirmou a decisão de permanecer neutra na disputa presidencial, inviabilizando a aliança.

O segundo movimento ocorreu com a tentativa de atrair a economista Daniella Marques para uma eventual composição com o Republicanos. A iniciativa encontrou resistência na direção nacional da legenda, que também caminha para confirmar a neutralidade durante sua convenção.

Sem conseguir romper esse bloqueio, a tendência é que Flávio forme uma chapa “puro-sangue”, escolhendo um vice do próprio PL.

Nos bastidores da centro-direita, dirigentes admitem haver outro fator que dificulta novas adesões. A candidatura de Flávio ainda desperta cautela em parte dos partidos, que avaliam existir risco de surgirem novos episódios capazes de desgastar sua campanha durante a eleição. A avaliação leva algumas lideranças a evitar um compromisso formal antes que o cenário esteja mais consolidado.

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