A operação da Polícia Federal (PF) que teve como alvo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), provocou uma mudança de humor no entorno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Depois de semanas lidando com o desgaste, inclusive nas pesquisas, provocado pela revelação de sua atuação na busca de recursos junto a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o filme “Dark horse”, aliados do pré-candidato à Presidência avaliam que, pela primeira vez desde a eclosão do escândalo, ele deixou de carregar sozinho o custo político da crise. Poucas horas após a ação da PF, o senador passou a explorar publicamente esse caminho.
A preocupação do entorno de Flávio após a divulgação de conversas com Vorcaro era especialmente grande diante da perspectiva de debates, entrevistas e sabatinas ao longo da corrida presidencial. Aliados reconheciam que adversários certamente utilizariam o episódio para questionar a idoneidade do senador, obrigando-o a gastar parte relevante da campanha respondendo a acusações e se defendendo de ataques.
A operação contra Wagner não elimina esse problema, mas, na avaliação de pessoas próximas ao pré-candidato, Flávio poderia atacar na “mesma moeda”. Em publicação nas redes sociais no mesmo dia da ação da PF, o senador voltou a defender a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master.

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“Escândalo envolvendo o PT é como a incompetência do governo Lula: não tem como esconder. CPMI do Banco Master já!”, escreveu.
Apesar da insistência no assunto, interlocutores do senador falam que já está claro que uma comissão não será instalada tão cedo se depender da vontade do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Associação ao PT
Embora continue defendendo publicamente que sua relação com Vorcaro se restringiu à busca de financiamento privado para a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, interlocutores de Flávio admitem que o tema se transformou em um dos principais passivos de sua pré-campanha.
Durante evento em São Paulo para lançar pontos de seu programa voltado à segurança pública, Flávio voltou ao tema e tentou associar o escândalo ao PT.
— O PT da Bahia acaba de ser implodido pela Polícia Federal com operação contra o líder do governo do PT no Senado Federal, Jaques Wagner. Isso é um alento de que a impunidade vai ser combatida. Como nós sempre dizemos, o cerne de todo esse problema era o PT da Bahia — afirmou.
As equipes de comunicação digital da campanha passaram o dia empenhadas em repercutir os desdobramentos da operação e reforçar a associação entre o caso Master e o núcleo político petista na Bahia.
Apesar do que descrevem como “breve alívio”, aliados de Flávio ponderam que as situações não são equivalentes. Eles reconhecem que o senador continuará submetido a um escrutínio maior por disputar a Presidência. Embora seja um dos principais aliados do presidente Lula, líder do governo no Senado e figura histórica do PT, Wagner não disputará o Palácio do Planalto.
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