A três semanas das urnas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à reta final da eleição de 2026 em uma posição mais apertada do que enfrentava no mesmo momento da campanha presidencial de quatro anos atrás.
A comparação entre pesquisas Quaest divulgadas em 14 de setembro de 2022 e nesta segunda-feira (14) mostra uma diferença importante. Há quatro anos, Lula tinha oito pontos de vantagem sobre Jair Bolsonaro (PL) no primeiro turno. Agora, a distância para Flávio Bolsonaro (PL) é de cinco pontos.
Em 2022, Lula registrava 42%, contra 34% de Bolsonaro. Ciro Gomes (PDT) aparecia com 7% e Simone Tebet (MDB), com 4%. A pesquisa, realizada entre 10 e 13 de setembro daquele ano, tinha margem de erro de dois pontos percentuais.
Nesta segunda-feira, a Quaest mostrou Lula com 36% e Flávio com 31% na primeira etapa. Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro, com 7%. A margem de erro também é de dois pontos.
A diferença entre as duas eleições fica ainda mais evidente nas simulações de segundo turno. Em 14 de setembro de 2022, Lula tinha 48%, contra 40% de Jair Bolsonaro — uma vantagem de oito pontos. Agora, Flávio registra 42% e Lula, 40%. Apesar da vantagem numérica do senador, os dois estão tecnicamente empatados.

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Vantagem ainda maior
A fotografia não era exclusiva da Quaest. No Datafolha divulgado em 15 de setembro de 2022, Lula tinha 45% no primeiro turno, contra 33% de Jair Bolsonaro. A distância chegava a 12 pontos a pouco mais de duas semanas da votação.
A vantagem nas pesquisas acabou sendo maior do que a registrada nas urnas. No primeiro turno daquele ano, Lula terminou com 48,43% dos votos válidos e Bolsonaro, com 43,20%, uma diferença de 5,23 pontos percentuais.
Esse histórico recomenda cautela na comparação. As pesquisas medem momentos específicos da campanha, e a eleição de 2022 mostrou que Bolsonaro conseguiu reduzir parte da distância apontada pelos levantamentos durante as semanas finais.
Para Lula, porém, a diferença está no ponto de partida. Em meados de setembro de 2022, o petista tinha uma margem que permitia absorver uma eventual aproximação do adversário. Em 2026, essa vantagem já é menor no primeiro turno e desapareceu na disputa direta.
O desafio de Lula
A nova Quaest também mostra que parte da dificuldade do presidente está em segmentos importantes de sua coalizão eleitoral. Entre quem recebe até dois salários mínimos, Lula perdeu quatro pontos no primeiro turno. Na simulação de segundo turno, continua com 51% nesse grupo, mas acumula queda de sete pontos em um mês.
O movimento coloca a mobilização do eleitorado tradicionalmente petista entre os principais desafios da reta final. Lula precisa recuperar participação entre os eleitores de menor renda e reduzir a possibilidade de que uma parcela de sua base chegue ao primeiro turno desmobilizada, indecisa ou disposta a votar em outro candidato.
Há ainda um segundo problema. Com Flávio já competitivo no segundo turno, a campanha petista precisa ampliar sua votação sem aumentar a rejeição ao próprio candidato.
Esse equilíbrio ganha importância diante do chamado antipetismo de chegada. Eleitores que podem migrar para o candidato mais competitivo contra o PT à medida que a disputa se concentra entre dois nomes.
Em 2022, Lula chegou à reta final com uma vantagem suficiente para suportar a aproximação de Bolsonaro. Quatro anos depois, a Quaest indica que essa margem de segurança deixou de existir.
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