O ex-presidente Jair Bolsonaro foi alvo ontem de um mandado de busca e apreensão em sua casa, em nova diligência da Polícia Federal autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação, determinada após o magistrado identificar divergências em informações prestadas pela defesa de Bolsonaro sobre o paradeiro de armas registradas em nome dele, teve o objetivo de checar se havia armamento, munições, acessórios e documentos ainda em posse do ex-presidente. Segundo os advogados, nada foi encontrado.
Em sua decisão, Moraes afirmou que “a discrepância entre as informações constantes dos autos e aquelas posteriormente apresentadas pela defesa torna imprescindível a adoção de busca e apreensão domiciliar a fim de assegurar o efetivo cumprimento da ordem judicial de entrega integral das armas de fogo e afastar qualquer dúvida quanto à permanência de armamentos sob a posse, direta ou indireta, do condenado Jair Messias Bolsonaro”.

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A operação da PF ocorre um dia após os advogados de Bolsonaro comunicarem ao STF o paradeiro das duas armas que ainda não haviam sido localizadas pela PF. Segundo a defesa, as dez armas registradas em nome do ex-presidente já estão sob custódia de órgãos públicos ou têm localização informada às autoridades.
Dez armas
No acervo de Bolsonaro há seis pistolas, duas carabinas e duas espingardas. Os mais potentes são um fuzil americano Springfield Armory e outro Caracal, que, junto a uma pistola, já havia sido entregue às autoridades após uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) em 2023. As peças foram dadas de presente pelos Emirados Árabes a Bolsonaro enquanto ele era presidente, o que justificou a ordem de devolução à Polícia Federal.
Um dos advogados de Bolsonaro, João Henrique de Freitas, disse nas redes ser “lamentável que um ex-presidente da República ainda seja submetido a esse tipo de ação”.
Na terça-feira, os advogados haviam informado ao STF que uma das armas que não havia sido encontrada no Exército, uma espingarda dada a Bolsonaro de presente, estava em Caxias do Sul (RS), e que nunca havia sido retirada da loja em que foi comprada. Antes, a defesa dissera que a arma estava sob custódia do Exército. Ontem, a PF apreendeu a espingarda, após o dono da loja comunicar que ela estava em sua casa. A outra arma está com a Polícia Civil do DF.
A operação repercutiu entre a direita bolsonarista. Dos EUA, Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, afirmou que a ação foi uma “clara tentativa de criar “cortina de fumaça” para “dividir o noticiário”, enquanto ele busca apoio contra o tarifaço. Aliados ainda classificaram a operação como “espetacularização” e “tentativa de humilhação e constrangimento”. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por sua vez, disse que foi “excesso de zelo” de Moraes.
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