O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a pedir ao governo dos Estados Unidos que suspenda a proposta de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em manifestação enviada ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o parlamentar sustenta que a medida acabaria fortalecendo politicamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defende que Washington adie qualquer decisão até a conclusão das negociações.
O documento foi protocolado às vésperas da audiência pública convocada pelo USTR para discutir a sobretaxação das exportações brasileiras. Flávio está entre os inscritos para participar da sessão, marcada para o próximo dia 6 de julho, em Washington.
Na manifestação, o senador afirma que a adoção das tarifas produziria efeito contrário ao pretendido pelos Estados Unidos. Segundo ele, o governo brasileiro teria apostado no agravamento da crise diplomática para transformar uma eventual retaliação comercial em ativo político durante o período eleitoral.
“O governo brasileiro vem protelando negociações sérias, provocando Washington para gerar uma retaliação e, em seguida, transformar essa retaliação em uma vitória política interna”, afirma o documento encaminhado pelo parlamentar.

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No novo ofício, Flávio também critica a condução da política externa do governo Lula e afirma que a relação bilateral sofreu deterioração nos últimos anos.
“Por mais de oitenta anos, Estados Unidos e Brasil foram parceiros de primeira ordem. Apenas recentemente o governo brasileiro afastou o relacionamento do hemisfério ao qual o Brasil pertence”, diz o texto.
Outro argumento apresentado pelo senador é que o governo brasileiro deixou de utilizar os canais formais de negociação disponíveis junto às autoridades americanas.
A manifestação cita uma carta enviada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, indicando que a audiência conduzida pelo representante de Comércio, Jamieson Greer, seria o instrumento institucional adequado para discutir as tarifas.
Segundo Flávio, o Palácio do Planalto optou por não participar desse processo. “É justamente essa via que o governo Lula se recusou a utilizar para defender as empresas brasileiras e o Brasil”, afirma o documento.
O tarifaço proposto pelo governo de Donald Trump tornou-se um dos principais pontos de atrito entre Brasília e Washington. A sobretaxa de 25% poderá atingir produtos brasileiros exportados ao mercado americano caso seja confirmada após o período de consultas públicas.
A audiência do dia 6 de julho deve reunir representantes de empresas, entidades empresariais e autoridades interessadas em apresentar argumentos favoráveis ou contrários à medida antes da decisão final do governo americano.
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