O governo de Javier Milei não pretende apresentar um pedido oficial de desculpas ao Brasil pelas declarações feitas pelo presidente argentino durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A informação foi publicada nesta segunda-feira (27) pelo jornal argentino La Nación, com base em fontes da Casa Rosada.
Segundo o periódico, integrantes do governo descartaram qualquer gesto formal para conter a crise diplomática aberta após Milei chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “ladrão” e “presidiário” e se referir ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes como “lixo careca”.
“Não haverá pedido de desculpas”, afirmou uma fonte do governo argentino ao La Nación.
Outro integrante da Casa Rosada disse ao jornal que o silêncio poderá ser usado como estratégia para evitar um agravamento da tensão. “Talvez não dizer mais nada seja uma forma de desescalar a situação”, declarou.

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Convocação de embaixador
A resposta brasileira veio ainda no fim de semana. O Itamaraty convocou o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos sobre o episódio e discutir os desdobramentos da relação bilateral.
Na prática diplomática, a convocação de um embaixador é interpretada como um sinal de forte insatisfação com a conduta de outro governo.
As declarações de Milei também provocaram reações dentro do Brasil. O presidente do STF, Edson Fachin, repudiou os ataques dirigidos à Corte. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, também criticou o discurso do líder argentino.
A fala de Milei também gerou críticas entre adversários políticos no próprio país. O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, principal nome da oposição ao governo argentino, afirmou ter assistido ao discurso com “vergonha alheia”, classificando a postura do presidente como prejudicial às relações entre os dois países.
Milei voltou a atacar o Brasil
Apesar da avaliação de integrantes da Casa Rosada de que o governo poderia reduzir a temperatura da crise evitando novas manifestações públicas, Milei voltou a fazer acusações contra o Brasil no dia seguinte ao evento.
Em entrevista à Rádio Mitre, no domingo (26), o presidente argentino afirmou, sem apresentar provas, que o governo brasileiro teria financiado uma campanha internacional contra sua gestão.
“Quem pôs mais dinheiro nesta campanha anti-Argentina? O governo do Brasil. Vinte e cinco por cento dos recursos saíram do governo do Brasil”, declarou.
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