A eleição de domingo pode mudar não apenas a composição do Senado, mas também a correlação de forças em uma das discussões que ganharam espaço na campanha de 2026, com a possibilidade de abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Para Lara Mesquita, cientista política e professora da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), o que acontecerá a partir de 2027 não dependerá apenas de quantos senadores críticos ao Supremo forem eleitos.

A presidência do Senado, o resultado da eleição presidencial e a reação do próprio STF às críticas dirigidas à Corte também entrarão nessa equação.

“Eu acho que a possibilidade de isso efetivamente acontecer vai depender de uma conjuntura na nova legislatura. Essa conjuntura depende de quem vai ser o presidente do Senado, de quem vai ser o presidente da República e das respostas que os ministros do Supremo apresentarem a essa insatisfação da sociedade”, afirmou Mesquita durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.

Senado virou prioridade

O debate ajuda a explicar por que a disputa pelo Senado ganhou protagonismo em parte das campanhas deste ano.

Mesquita afirma que setores da direita passaram a dar mais atenção à composição da Casa diante da intenção de avançar com pautas relacionadas ao STF. O Senado tem atribuições constitucionais específicas nos processos de responsabilização de ministros do Supremo.

“A pauta do Senado se tornou central, a pauta do STF se tornou central na campanha do Senado”, disse a professora.

Neste domingo, 54 das 81 cadeiras do Senado estarão em disputa. Cada estado e o Distrito Federal escolherão dois representantes.

Ainda assim, uma mudança na composição da Casa não significa automaticamente que um ministro será afastado.

Abrir processo não significa afastamento

Mesquita chama atenção para a diferença entre autorizar a abertura de um processo e efetivamente aprovar o impeachment de um ministro.

“Abrir o processo não significa que o ministro vá efetivamente ser impeachado”, afirmou.

Na avaliação da cientista política, um eventual processo poderia inicialmente funcionar como instrumento de investigação. O resultado dependeria posteriormente das informações reunidas e da formação de apoio político suficiente no Senado.

A própria composição partidária, portanto, é apenas parte da conta. Além dos senadores eleitos, a condução política da Casa será relevante para definir quais pautas efetivamente avançam na próxima legislatura.

Debate pode ir além do impeachment

Mesquita acredita que a discussão em 2027 pode acabar sendo mais ampla do que processos individuais contra integrantes do STF.

Para ela, a próxima legislatura tende a enfrentar pressão por uma discussão sobre as regras aplicadas ao Judiciário. A professora cita, entre os assuntos que alimentam esse movimento, as críticas aos chamados penduricalhos remuneratórios e aos mecanismos de controle sobre integrantes do sistema de Justiça.

“Eu acho que a próxima legislatura vai começar um debate amplo sobre reforma do Judiciário”, afirmou.

Nesse cenário, a eleição para o Senado ganha importância para além da disputa presidencial. Enquanto Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram a maior parte das atenções na corrida pelo Planalto, o resultado das 54 vagas em disputa ajudará a determinar qual espaço temas relacionados ao Supremo e ao Judiciário terão no Congresso a partir de 2027.

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