O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 10, em entrevista ao SBT News, que, em seu governo, “não tem essa de ficar discutindo ajuste fiscal” e que os ajustes são feitos “na prática”. Lula defendeu que seus três mandatos, em especial os dois primeiros, são demonstração de que ele tem responsabilidade fiscal.
“No meu governo não tem essa de ficar discutindo ajuste fiscal. Ajuste fiscal eu faço na prática, são 12 anos de responsabilidade fiscal. O governo que herdei não só tinha 2,8% do PIB de déficit como não tinha orçamento”, declarou, ao ser questionado sobre a dívida pública brasileira.

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Lula reclamou da elite financeira do País, representada comumente como Faria Lima por causa da avenida na capital paulista. Disse que, ao falar sobre aumento da dívida pública nos últimos anos, “a Faria Lima só chora, ela não conhece a palavra social, não conhece a palavra inclusão”.
“Nesse País, não tem político nem banqueiro que tenha coragem ou autoridade de discutir responsabilidade fiscal comigo”, afirmou o presidente da República.
Lula defendeu o aumento do salário mínimo como uma das principais políticas públicas de seu governo. Disse que provou que “aumentar o salário mínimo não causa inflação nesse País, causa poder de compra e melhoria da vida do povo trabalhador”.
“Enquanto eu for presidente, salário mínimo vai ter inflação e mais crescimento do PIB. Todos os trabalhadores, e aposentados, que já trabalharam muito, têm o direito de receber”, declarou.
O plano de governo de Lula fala, de forma genérica, sobre a necessidade de ter “responsabilidade fiscal” em um eventual quarto mandato. O documento fala que, “para consolidar esse ciclo e dar um salto de desenvolvimento, é necessário continuar implementando uma política macroeconômica comprometida com o crescimento, a redução das desigualdades, a valorização do trabalho, a responsabilidade ambiental, a responsabilidade fiscal, a queda dos juros e a inflação controlada”.
O programa também fala que é preciso “criar as condições para uma redução sustentada das taxas de juros, com inflação controlada e assegurando uma política fiscal responsável” para que seja possível impulsionar os investimentos e o crescimento econômico.
A forma como a campanha do presidente e candidato à reeleição lida com o assunto causou atritos há cerca de dois meses. O ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo, deixou de dar entrevistas após a repercussão negativa de algumas falas suas a integrantes do mercado financeiro.
Desde então, a coordenação de campanha de Lula colocou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, como o principal interlocutor com o PIB brasileiro. O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad também é visto como uma eminência parda quando o assunto é a agenda econômica de um eventual governo Lula 4, apesar de ele estar focado em sua campanha ao governo de São Paulo.
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