Na véspera do segundo turno de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderava as principais pesquisas presidenciais, com vantagens que variavam de quatro a oito pontos percentuais sobre Jair Bolsonaro (PL). O resultado das urnas, no entanto, foi mais apertado do que indicavam os levantamentos, com Lula vencendo com 50,90% dos votos válidos, contra 49,10% do então presidente.

Os últimos números foram divulgados em 29 de outubro, um sábado, depois de uma campanha marcada por sucessivas oscilações nas intenções de voto. Datafolha e Quaest apontavam Lula com 52% e Bolsonaro com 48%. O Ipec registrava uma diferença maior, de 54% a 46%.

Quatro anos depois, Lula chega à reta final de outra disputa presidencial, desta vez contra Flávio Bolsonaro (PL). A comparação com 2022 mostra que, mesmo às vésperas da votação, os institutos podem registrar diferenças superiores às que efetivamente aparecem nas urnas.

O que mostravam as últimas pesquisas de 2022?

O Datafolha realizou sua última rodada entre 28 e 29 de outubro, com 8.308 entrevistas em 253 municípios. Nos votos totais, Lula tinha 49%, enquanto Bolsonaro aparecia com 45%. Brancos e nulos somavam 4%, e outros 2% estavam indecisos.

Nos votos válidos, a vantagem petista havia diminuído de seis para quatro pontos desde a pesquisa divulgada dois dias antes. Lula passou de 53% para 52%, enquanto Bolsonaro oscilou de 47% para 48%.

A Quaest também identificou aproximação entre os candidatos. Seu último levantamento, realizado para a Genial Investimentos, apontava 52% dos votos válidos para Lula e 48% para Bolsonaro. Na rodada anterior, o resultado era de 53% a 47%.

O instituto apresentava ainda uma estimativa baseada na probabilidade de comparecimento dos eleitores às urnas. Nesse modelo, Lula tinha 51,4%, contra 48,6% de Bolsonaro, uma diferença de 2,8 pontos.

Já o Ipec manteve o resultado da pesquisa anterior, de 24 de outubro, com oito pontos de vantagem para Lula: 54% a 46% nos votos válidos.

Os levantamentos indicavam corretamente a liderança do petista, mas superestimaram sua distância em relação ao adversário. Nas urnas, Lula recebeu 60.345.999 votos, contra 58.206.354 de Bolsonaro, uma vantagem de aproximadamente 2,14 milhões de votos.

A diferença final foi 2,2 pontos menor que a estimada por Datafolha e Quaest e 6,2 pontos inferior à registrada pelo Ipec.

Onde estava a força de cada candidato?

Os recortes do Datafolha mostravam uma divisão regional e demográfica que também marcou o resultado da eleição.

Lula tinha ampla vantagem no Nordeste, com 71% dos votos válidos, contra 29% de Bolsonaro. O petista também liderava entre as mulheres, por 55% a 45%, e entre os católicos, com 59% a 41%.

Bolsonaro, por sua vez, registrava 60% dos votos válidos no Sul e 61% no Centro-Oeste. No Sudeste, região com o maior número de eleitores, aparecia numericamente à frente por 52% a 48%.

Entre os evangélicos, o então presidente também mantinha uma vantagem expressiva, de 69% a 31%.

O levantamento indicava ainda que 94% dos eleitores estavam totalmente decididos sobre o voto. Apenas 6% admitiam mudar de candidato, proporção que restringia o espaço para alterações expressivas nas preferências declaradas.

O que aconteceu nas urnas?

A votação de 30 de outubro confirmou a liderança identificada pelos institutos, mas com uma distância menor. Lula terminou o primeiro turno com 48,43% dos votos válidos, contra 43,20% de Bolsonaro. No segundo turno, a diferença caiu de 5,23 para 1,80 ponto percentual.

O resultado representou a primeira derrota de um presidente em exercício que disputava a reeleição desde a introdução dessa possibilidade no Brasil, em 1997.

E como estão Lula e Flávio em 2026?

O cenário atual apresenta uma diferença em relação a 2022. Naquela eleição, Lula chegava à véspera numericamente à frente em todos os principais institutos. Neste ano, Flávio Bolsonaro aparece com pequena vantagem em pesquisas recentes, geralmente dentro da margem de erro.

No Datafolha divulgado em 15 de outubro, Flávio registrou 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula.

Já a AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta segunda-feira (19) apontou 51,1% para o senador e 48,9% para o presidente, diferença de 2,2 pontos percentuais. Na pesquisa anterior do instituto, de 9 de outubro, a distância era de 5,6 pontos.

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