A semana que colocou o Supremo Tribunal Federal no centro da crise do Banco Master e levou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a anunciar reajuste de 15,04% no Bolsa Família terminou sem mudança relevante no equilíbrio com Flávio Bolsonaro (PL).

A Quaest divulgada nesta segunda-feira (21) mostra Flávio com 42% e Lula com 41% em eventual segundo turno. Há uma semana, o senador tinha os mesmos 42%, enquanto o presidente aparecia com 40%.

No primeiro turno, Lula passou de 36% para 37%, e Flávio avançou de 31% para 33%. A distância entre os dois caiu de cinco para quatro pontos.

Os movimentos estão dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais, mas indicam que os principais acontecimentos dos últimos dias ainda não produziram uma alteração clara na estrutura da disputa, como era esperado pela campanha petista.

STF era um risco maior para Lula

A pesquisa foi realizada entre 17 e 20 de setembro, logo após uma semana de forte exposição do Supremo. Na terça-feira (15), a Corte discutiu questões envolvendo Alexandre de Moraes e o caso Banco Master, mas a sessão terminou sem definição após pedido de vista de Flávio Dino. Edson Fachin também adiou a análise sobre a conduta de André Mendonça nas apurações relacionadas ao banco.

O tema preocupava a campanha governista porque a AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 17 de setembro mostrou que 49,5% dos entrevistados avaliavam que a crise no STF prejudicava mais Lula. Flávio era citado por 20,9%.

Ao mesmo tempo, o próprio caso Master aparecia mais dividido: 41,2% apontavam maior envolvimento de aliados de Jair Bolsonaro e 40,2%, de aliados de Lula.

Bolsa Família tentou mudar a pauta

Foi nesse ambiente que Lula anunciou, na quinta-feira (17), o reajuste do Bolsa Família, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691. A medida recolocou renda e programas sociais no centro da campanha, mas também provocou críticas pelo momento do anúncio e por seu impacto fiscal.

Como a pesquisa estava em campo durante o anúncio, parte dos entrevistados respondeu antes da medida e parte depois. A oscilação de Lula de 40% para 41% no segundo turno, portanto, não permite atribuir um efeito eleitoral ao reajuste.

O dado mais relevante para Flávio está no primeiro turno. O senador avançou dois pontos, contra um de Lula, e reduziu a distância entre os dois.

A redução dos indecisos e a oscilação de candidatos menores coincidem com o crescimento dos dois líderes e apontam para uma concentração maior da disputa na reta final.

A principal leitura da nova Quaest, porém, está na estabilidade do segundo turno. Lula atravessou uma crise institucional que outras pesquisas apontavam como mais prejudicial à sua candidatura e tentou responder com uma medida de forte alcance social. Flávio manteve os 42% e seguiu explorando o desgaste do Supremo. Até agora, nenhum dos dois movimentos abriu vantagem.

A Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 17 e 20 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-06004/2026.

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