A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (10), indica uma melhora do cenário eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após semanas marcadas pelo embate diplomático com os Estados Unidos e pela reação do governo às ameaças de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
O levantamento, realizado entre 5 e 8 de junho, mostra Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, dez pontos à frente de Flávio Bolsonaro (PL), que aparece com 29%. Em maio, a distância era de oito pontos.
Renan Santos surge com 3%, seguido por Ronaldo Caiado (3%), Aécio Neves (2%) e Romeu Zema (2%). Os indecisos somam 10%, enquanto 9% declaram voto branco, nulo ou afirmam que não pretendem votar.
O principal movimento, porém, aparece no segundo turno. Lula passou de 42% para 44%, enquanto Flávio recuou de 41% para 38%. A vantagem do petista, que era de apenas um ponto na rodada de abril, chegou a seis pontos.
Confira o histórico

O resultado foi captado após uma semana em que o debate político foi dominado pela possibilidade de sobretaxação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos.

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O episódio ampliou o discurso do Planalto em defesa da soberania nacional e colocou Lula no centro da reação institucional à pressão americana. Enquanto isso, a campanha de Flávio buscou afastar a ligação entre o senador e a imposição de novas tarifas. Em 2025, a família Bolsonaro havia trabalhado pela tarifação de produtos brasileiros com o governo do presidente Donald Trump como forma de pressão ao julgamento de Jair Bolsonaro no STF por tentativa de golpe.
A melhora eleitoral de Lula ocorre simultaneamente à recuperação da avaliação do governo. Segundo a Quaest, a aprovação da gestão Lula subiu de 46% para 47%, enquanto a desaprovação caiu de 52% para 48%.
Mulheres e baixa renda ampliam vantagem
Os dados mostram que a principal fortaleza eleitoral do presidente continua sendo o eleitorado feminino. Entre as mulheres, Lula tem 41% das intenções de voto, contra 24% de Flávio Bolsonaro, uma vantagem de 17 pontos.
Entre os homens, a disputa é mais equilibrada: Lula registra 37%, enquanto Flávio aparece com 34%.
Na divisão por renda, o presidente mantém ampla liderança entre os brasileiros que recebem até dois salários mínimos. Nesse grupo, Lula marca 50%, mais que o dobro dos 23% obtidos por Flávio.
Já entre os eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, o cenário se inverte. Flávio lidera por 37% a 28%, mostrando que o senador continua mais competitivo entre os segmentos de renda mais elevada.
Nordeste segue decisivo
Regionalmente, o Nordeste continua sendo a principal base do presidente. Lula aparece com 54% das intenções de voto na região, contra 25% de Flávio.
No Sudeste, onde está quase metade do eleitorado nacional, Lula lidera por 37% a 28%.
Flávio mantém vantagem apenas no Sul, com 38% contra 27% do presidente. No Centro-Oeste e Norte, o cenário é de equilíbrio, com 32% para Lula e 30% para o senador.
Eleitorado mais consolidado
A pesquisa também mostra um grau elevado de fidelização dos dois principais candidatos.
Entre os eleitores de Lula, 71% afirmam que o voto é definitivo. Apenas 29% dizem que ainda podem mudar de posição até a eleição.
No caso de Flávio Bolsonaro, 70% consideram a escolha consolidada, enquanto 30% admitem rever o voto.
Esse dado sugere que a disputa tende a ser decidida principalmente entre os eleitores independentes, parcela que continua demonstrando maior volatilidade diante de eventos políticos e econômicos.
O levantamento reforça uma tendência observada nas últimas semanas. Além da melhora da percepção sobre Lula após seu encontro com Donald Trump, registrada por pesquisas recentes, a reação do governo à ameaça de tarifas americanas e a agenda de medidas de estímulo ao consumo anunciadas pelo Planalto ajudaram a criar um ambiente mais favorável ao presidente.
Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro tenta conter os efeitos políticos do caso envolvendo os áudios com o empresário Daniel Vorcaro, tema que segue presente no debate eleitoral e que apareceu em outras pesquisas divulgadas nos últimos dias.
A pesquisa Quaest entrevistou 2004 eleitores, entre 05 e 08 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo e o nível de confiança é de 95%.
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