O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e e o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegam à véspera do primeiro turno separados por apenas um ponto percentual nos votos válidos, segundo pesquisa Quaest divulgada neste sábado (3).

Lula aparece com 46%, enquanto Flávio registra 45%. Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) têm 3% cada. Com margem de erro de dois pontos percentuais, os dois primeiros estão tecnicamente empatados.

O levantamento é a última fotografia da Quaest antes da votação deste domingo (4) e mostra uma concentração ainda maior do eleitorado em Lula e Flávio. Juntos, os dois somam 91% dos votos válidos.

Em votos totais:

  • Lula (PT): 40% (eram 39% na pesquisa anterior)
  • Flávio Bolsonaro (PL): 38% (eram 34%)

Na rodada anterior, divulgada em 28 de setembro, Lula tinha 39% das intenções de voto totais, contra 34% de Flávio, contabilizando os votos totais, não somente os válidos. Augusto Cury e Ronaldo Caiado apareciam com 4% cada, Renan Santos tinha 3% e Romeu Zema (Novo), 1%. Brancos, nulos e eleitores que diziam não votar somavam 10%, enquanto 5% estavam indecisos.

Voto útil explica avanço de Flávio

Uma das hipóteses para a maior concentração de votos em Flávio é o movimento de voto útil entre eleitores de candidatos da direita que ficaram para trás na disputa. A própria campanha do senador vinha tratando essa migração como prioridade nos últimos dias, mirando especialmente os eleitores de Zema, Caiado, Renan e Cury.

Pesquisas anteriores já mostravam que esse eleitorado tendia mais a Flávio em um eventual segundo turno. Segundo o Datafolha, entre os eleitores que declaravam voto em Zema, Renan, Caiado ou Cury, 43% migravam para Flávio num confronto direto com Lula, contra 30% que escolhiam o petista.

Isso não permite afirmar que os votos perdidos por esses candidatos tenham ido diretamente para Flávio nesta rodada da Quaest. A pesquisa não acompanha individualmente a mudança de voto de cada entrevistado. Mas a queda das candidaturas menores, combinada com a estratégia explícita de voto útil adotada pelo PL, torna essa uma das explicações possíveis para a concentração registrada na reta final.

No caso de Zema, que tinha 1% no levantamento nacional da Quaest de 28 de setembro, o eleitorado já demonstrava preferência maior por Flávio numa eventual polarização. Em agosto, por exemplo, levantamento do Datafolha apontava que 60% dos eleitores do candidato do Novo escolheriam Flávio em um segundo turno.

Medidas do governo entram na reta final de Lula

Do lado de Lula, a reta final foi marcada por uma sequência de medidas de forte apelo econômico e social. O governo anunciou reajuste de 15% do Bolsa Família, elevando o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691, além de lançar uma nova etapa do Desenrola e determinar a proibição das apostas online.

O reajuste do Bolsa Família havia sido decidido depois de o governo identificar o custo de vida, o endividamento e as bets entre os temas de maior desgaste junto ao eleitorado, segundo relatos de integrantes da campanha ouvidos pela Folha de S.Paulo.

Também aqui não é possível atribuir diretamente qualquer oscilação de Lula a essas medidas. Pesquisas eleitorais mostram associação temporal, mas não estabelecem causalidade.

A avaliação das campanhas, porém, era de que a agenda econômica poderia ajudar na mobilização de eleitores de menor renda e reduzir a abstenção entre segmentos nos quais Lula registra desempenho mais forte.

A última rodada da Quaest, portanto, chega com dois movimentos ocorrendo ao mesmo tempo: Lula tenta transformar medidas econômicas recentes em mobilização de sua base, enquanto Flávio procura concentrar o eleitorado de direita por meio do voto útil.

A pesquisa foi encomendada pela Globo e pelo jornal O Globo e ouviu 3.702 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 2 e 3 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-02197/2026.

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