A candidatura do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) ao governo do Rio foi oficializada na tarde deste sábado durante a convenção estadual do partido, realizada na Tijuca, Zona Norte da capital. Com a homologação, Garotinho volta a disputar o Palácio Guanabara após ter a inelegibilidade suspensa por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin.

O palco foi montado no Ginásio Alah Baptista, do Club Municipal. Esta será a quarta vez que Garotinho disputará o governo do Rio de Janeiro nas últimas três décadas. Ele comandou o estado entre 1999 e 2002, quando deixou o cargo para concorrer à Presidência da República.

Garotinho também apresentou oficialmente o coronel da reserva Venâncio Moura como candidato a vice-governador em sua chapa, que terá na corrida ao Senado os ex-prefeitos Marcelo Crivella (do Rio) e Waguinho (de Belford Roxo).

 Em um discurso marcado por ataques a adversários, Anthony Garotinho afirmou que, se eleito, terá como primeira missão “libertar o Rio de Janeiro das três organizações criminosas” que, segundo ele, dominam o estado. O candidato do Republicanos equiparou a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) ao tráfico de drogas e às milícias.

 

— A tarefa número um do nosso governo é libertar o Rio de Janeiro das três organizações criminosas que dominam esse estado: os criminosos do tráfico, os criminosos da milícia e os criminosos da Alerj. Talvez essa seja a pior das facções — afirmou. 

Garotinho também criticou o cenário político fluminense. Sem citar nomes, afirmou que o estado tem “um governo desmoralizado”, em referência ao governador Cláudio Castro, e atacou o prefeito do Rio, Eduardo Paes.

 Na área da saúde, o ex-governador prometeu acabar com a fila do Sistema Nacional de Regulação (Sisreg), que classificou como a “fila da mentira”. Segundo ele, a solução será ampliar o funcionamento da rede hospitalar. Ao tratar da educação, Garotinho afirmou que pretende promover uma “revolução” no ensino público para preparar os estudantes para as novas profissões e para o mercado de trabalho.

 ‘Bope 2.0’

Na entrevista coletiva após a convenção, Garotinho defendeu sua experiência na área de segurança pública e afirmou que pretende adotar uma estratégia diferente da atual gestão para o enfrentamento ao crime organizado. Entre as ideias estão a criação um batalhão especializado, que chamou de “Bope 2.0”, para permanecer em comunidades até a retirada definitiva das facções criminosas.

 — Não é fazer operação-marketing: entra, mata um monte de gente e sai no dia seguinte. É ocupar a comunidade por 30 dias, 60 dias, 90 dias, o tempo que for necessário. Só sai de lá depois que o território estiver todo tomado, de verdade — disse.

 Ao ser questionado sobre a aliança nacional entre Republicanos e PT, Garotinho afirmou que a composição não interfere em sua candidatura no Rio e reiterou críticas aos dois partidos. Disse que não vota no PT e que também não apoiaria candidatos do PL ligados ao grupo político do governador Cláudio Castro.

 — Eu não voto no PT. Também era impossível votar no PL com Canella, Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar. Eu estou preocupado com o estado do Rio — afirmou.

 Decisão do STF

A definição por Garotinho ocorreu após uma disputa interna com o ex-prefeito de Miguel Pereira, André Português, que também pleiteava a indicação do partido. A volta de Garotinho à disputa eleitoral foi viabilizada por uma decisão liminar do ministro Cristiano Zanin, que suspendeu os efeitos de sua condenação no âmbito da Operação Chequinho e afastou, provisoriamente, sua inelegibilidade.

 Com a decisão, o ex-governador recuperou temporariamente os direitos políticos e poderá concorrer nas eleições enquanto o STF analisa o mérito do caso. O recurso questiona o acórdão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que manteve a condenação pelos crimes de corrupção eleitoral, associação criminosa, supressão de documento e coação no curso do processo, relacionados às eleições municipais de 2016 em Campos dos Goytacazes.

 Em 2024, o TSE rejeitou um recurso da defesa e confirmou a condenação. A pena, inicialmente fixada em nove anos e 11 meses de prisão, foi elevada para 13 anos e nove meses pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) e posteriormente mantida pela Corte eleitoral.

 No STF, a defesa sustenta que a condenação se baseou em provas digitais obtidas de forma irregular, sem perícia técnica e com quebra da cadeia de custódia. Segundo os advogados, arquivos foram extraídos de computadores da prefeitura por meio de pen drives, sem garantias de integridade e autenticidade.

Três prisões e condenações na Justiça Eleitoral

Anthony Garotinho foi preso pela primeira vez em novembro de 2016, durante a Operação Chequinho, que investigava um esquema de compra de votos em Campos dos Goytacazes por meio do programa social Cheque Cidadão. No processo, ele acabou condenado por corrupção eleitoral.

 A pena, inicialmente fixada em nove anos e 11 meses de prisão, foi posteriormente ampliada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) para 13 anos e nove meses. Após passar por prisão domiciliar e cumprir medidas cautelares, Garotinho teve a prisão revogada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 Em setembro de 2017, voltou a ser preso por determinação da Justiça Eleitoral. Segundo as investigações, ele teria tentado obstruir a apuração da Operação Chequinho, com supostas ameaças a testemunhas e destruição de provas. Dias depois, o TSE revogou novamente a prisão e as medidas cautelares.

Dois meses depois, em novembro de 2017, Garotinho foi preso pela terceira vez, durante a Operação Caixa D’Água, da Polícia Federal. A investigação apurava suspeitas de caixa dois, corrupção, organização criminosa e falsidade na prestação de contas eleitorais. Segundo o Ministério Público, recursos oriundos de um contrato supostamente fraudulento da JBS teriam sido destinados às campanhas de Garotinho e de sua esposa, Rosinha Garotinho.

 A defesa sempre negou irregularidades e sustentou que as doações foram declaradas à Justiça Eleitoral. Em dezembro daquele ano, o então presidente do TSE, Gilmar Mendes, concedeu habeas corpus ao ex-governador, entendendo que não havia elementos que justificassem a manutenção da prisão preventiva.

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