A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para integrar a chapa para a disputa da Presidência representa uma mudança de rumo na estratégia da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que abandona a estratégia de focar na ampliação da sua base eleitoral para consolidar o apoio do eleitorado bolsonarista mais fiel.
Desde o lançamento da candidatura, aliados de Flávio defendiam que a vice fosse uma mulher. O diagnóstico era compartilhado dentro da campanha, reforçado pelas pesquisas, que mostravam que um dos maiores desafios do senador estava entre o eleitorado feminino, enquanto sua base ideológica permanecia consolidada.
A vaga seria usada justamente para reduzir essa resistência e ampliar o diálogo com setores moderados da direita e do centro.
Foi sob essa lógica que surgiram as conversas com Tereza Cristina (PP-MS), Daniella Marques (Republicanos), Damares Alves (Republicanos) e outras lideranças. Nenhuma delas prosperou. PP e Republicanos decidiram permanecer neutros na disputa presidencial, enquanto outras legendas evitaram associar formalmente suas marcas à candidatura de Flávio.
Nos bastidores, dirigentes desses partidos avaliavam que a campanha ainda carregava um nível elevado de risco político. Pesavam episódios recentes, como os atritos públicos entre Flávio e Michelle Bolsonaro, a crise envolvendo Daniel Vorcaro e a percepção de que novos desgastes poderiam surgir ao longo da campanha.
Também havia uma preocupação pragmática: apoiar formalmente um candidato que eventualmente fosse derrotado por Lula poderia reduzir o espaço de negociação dessas legendas em um eventual novo governo. Sem conseguir romper esse isolamento, o PL mudou de prioridade.

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Reforço da base
A indicação de Alfredo Gaspar sinaliza que a campanha pode ter deixado de buscar votos em novos segmentos para reforçar sua identidade junto ao eleitor bolsonarista.
Ex-promotor de Justiça, ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas e relator da CPMI do INSS, Gaspar construiu sua imagem política em torno do combate ao crime organizado, da defesa de penas mais duras e da atuação contra o governo Lula no Congresso.
Como relator da comissão, liderou os trabalhos que colocaram o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no centro da ofensiva da oposição ao aprovar a quebra de seus sigilos bancário e fiscal.
A escolha também reforça um movimento observado ao longo dos últimos meses e discutido no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney. Depois de um início de pré-campanha marcado por dificuldades para consolidar sua candidatura, disputas internas no bolsonarismo e perda de espaço para outros nomes da direita, Flávio passou a investir na recuperação do eleitor mais ideológico antes de tentar ampliar sua votação.
Essa estratégia apareceu na intensificação do discurso sobre segurança pública, nas críticas ao Supremo Tribunal Federal, na defesa das pautas de Jair Bolsonaro, na aproximação pública com Michelle Bolsonaro após a crise entre ambos e na presença do presidente argentino Javier Milei na convenção do PL.
Segurança vira ativo eleitoral
Alfredo Gaspar oferece à campanha um ativo considerado valioso, a credibilidade em um tema que aparece entre as maiores preocupações do eleitorado nas pesquisas: corrupção e segurança pública.
Ao levar para a chapa um ex-promotor e ex-secretário de Segurança, Flávio reforça a intenção de transformar o combate ao crime em um dos eixos centrais da campanha, ao lado das críticas ao governo Lula e do discurso de endurecimento penal.
Em contrapartida, a candidatura abre mão do simbolismo que teria uma vice mulher, objetivo perseguido durante meses justamente para reduzir a rejeição do senador entre as eleitoras.
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