Aliados do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) em São Paulo demonstram incômodo, nos bastidores, com a aproximação do senador com o influenciador Pablo Marçal. Segundo pessoas ligadas à direita no Estado, a aproximação ajuda a explicar a ausência de algumas das principais lideranças paulistas em uma live feita por Flávio nas redes sociais nesta quinta-feira (1), após o senador desistir de participar do último debate presidencial.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o candidato ao senado, André do Prado (PL), não apareceram na transmissão, que teve Marçal sentado ao lado de Flávio durante um bom tempo. O influenciador, inclusive, estava na comitiva de Flávio que iria ao debate. Da chapa de São Paulo, somente Guilherme Derrite (PP), que mantém uma relação bem mais próxima com Flávio, foi o único dos principais aliados paulistas a aparecer no vídeo.
Nos bastidores, há integrantes do grupo que consideram inadequadas algumas das atitudes de Marçal. O influenciador não é visto com bons olhos por parte das lideranças que hoje estão próximas de Tarcísio e Nunes.
A aproximação com Flávio começou a ganhar forma no início da semana. Os dois se encontraram reservadamente na TV Celular, em São Paulo – estúdio em que Flávio realiza gravações – e avançaram na construção de uma aliança. Depois, fizeram a primeira aparição conjunta em uma academia de jiu-jítsu, onde Flavio cumpria agenda – e ocasião em que o senador anunciou que Marçal passaria a integrar sua equipe.
A resistência paulista tem também um componente eleitoral. Marçal e Nunes foram adversários na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024. O influenciador terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com 28,14% dos votos válidos, enquanto Nunes avançou e acabou reeleito no segundo turno.
A relação entre os grupos chegou a um ponto de tensão durante aquela campanha. Duda Lima, hoje responsável pelo marketing da campanha de Flávio e, à época, marqueteiro de Nunes, levou um soco no olho de um integrante da campanha de Marçal.
Já naquela época, Marçal era alvo de críticas entre integrantes do grupo político paulista, especialmente nos círculos ligados a Tarcísio e Nunes. A disputa de 2024, inclusive, contribuiu para aproximar ainda mais o governador do prefeito. Tarcísio passou a atuar diretamente pela reeleição de Nunes e teve participação importante na vitória do prefeito.
É justamente esse histórico que faz com que a entrada de Marçal na campanha de Flávio seja observada com cautela por parte dos aliados paulistas. A avaliação interna é que a aproximação pode criar ruídos justamente com um grupo que tem sido considerado fundamental para a candidatura do senador no maior colégio eleitoral do país.
