O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), tem sinalizado a partidos que declararam apoio a ele no segundo turno que pretende “contemplar” as siglas com cadeiras e cargos em um eventual governo. Embora a movimentação ainda não seja mencionada publicamente pela equipe, autoridades que participaram dos encontros relatam que há espaços em discussão e promessas de participação na futura gestão.
Além de uma forma de agradecer pelos apoios, a distribuição de cargos é vista por aliados como uma estratégia para garantir governabilidade no Congresso Nacional. Junto ao PL, partido de Flávio, as siglas que declararam ou devem declarar apoio ao senador — NOVO, Republicanos, PP, União Brasil e MDB — representam quase 63% das cadeiras da Câmara dos Deputados e 71,6% do Senado Federal.
Na prática, a avaliação é que a participação desses partidos em um eventual governo poderia facilitar a aprovação de propostas de interesse do Executivo. Como mostrou a coluna, o grupo de Flávio quer o senador Rogério Marinho (PL), atual coordenador da campanha, na presidência do Senado, com o objetivo de viabilizar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Pessoas próximas ao candidato afirmam, porém, que a prioridade de Flávio no primeiro ano de governo seria fazer uma gestão “dura” para “arrumar a casa”. Entre as metas mencionadas estão a aprovação de reformas estruturais, o controle de gastos públicos e o endurecimento de penas na área de segurança pública. Para avançar com essa agenda, o senador precisaria construir uma base de apoio no Legislativo.
Alguns nomes já circulam internamente para ocupar cargos em um eventual governo. O senador eleito Guilherme Derrite (PP) é cotado para a pasta de Segurança Pública, enquanto Daniella Marques (Republicanos) é mencionada para as áreas de Economia ou Políticas Sociais. Para a Casa Civil, a senadora Tereza Cristina (PP) aparece como o nome mais forte nas conversas.
As negociações também avançaram com dirigentes das siglas aliadas, entre eles Marcos Pereira, presidente do Republicanos, Ciro Nogueira, do PP, e Renata Abreu, do Podemos. A interlocução busca aproximar os partidos do projeto de Flávio e discutir os espaços que poderiam ocupar em uma eventual administração.
‘Jogando parado’
Apesar do otimismo nos bastidores e das conversas sobre a composição de um futuro governo, a campanha quer evitar a impressão de que a eleição já está decidida. A orientação, neste momento, é tentar manter o resultado sem abrir novas frentes de desgaste, com uma postura de “jogar parado”.
A avaliação interna é que o PT deve intensificar os ataques ao candidato, inclusive com a alegação de que um eventual governo Flávio cortaria recursos de programas sociais. Diante de novas ofensivas, a orientação é que a campanha apresente seu posicionamento, mas “sem criar alarde”, evitando alimentar polêmicas que possam alterar o cenário eleitoral.
