Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) avaliam, nos bastidores, que a saída dele do Brasil pode comprometer os planos do grupo para o Senado Federal. Um dos principais receios é que a oposição perca força para aprovar processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ou barrar indicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Corte.

A preocupação ganhou força nesta terça-feira (27), após PP e União Brasil divulgarem uma nota de apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (PP) à presidência do Senado. Como vem mostrando a Jovem Pan, a expectativa do grupo de Flávio era eleger Rogério Marinho (PL) para o comando da Casa, contando também com o apoio da federação União Progressista, que esteve com a chapa do senador no segundo turno presidencial.

A composição do Senado é considerada estratégica pelo grupo diante das futuras indicações ao STF. Caso todas sejam aprovadas, Lula poderá ter indicado sete dos 11 ministros da Corte. Atualmente, quatro integrantes foram indicados pelo petista: Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino.

Além da vaga aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, em outubro do ano passado, ainda sem preenchimento, Lula poderá indicar outros três ministros ao longo do próximo mandato. Entre 2027 e 2030, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes completarão 75 anos, idade-limite para permanência no tribunal. Como mostrou a coluna, a perspectiva de novas indicações já preocupava a direita desde o ano passado.

Para pessoas próximas ouvidas pela coluna, a expectativa era que Flávio assumisse a liderança do grupo e transformasse os quase 60 milhões de votos recebidos na eleição em força política. A avaliação era que o senador passaria a conduzir a articulação da oposição, movimento que ele próprio havia anunciado.

A saída do país sem comunicação prévia, no entanto, teria surpreendido aliados e deixado o grupo responsável por administrar as consequências políticas da situação no Brasil. Nos bastidores, interlocutores avaliam que o episódio pode dificultar a organização da oposição justamente em um momento considerado estratégico para a disputa pelo comando do Senado e para a influência sobre futuras decisões do STF.