Auxiliares de André Mendonça esperavam uma reta final de campanha menos turbulenta no Supremo Tribunal Federal. A decisão do ministro de determinar a remoção de conteúdos sobre Nossa Senhora associados a Flávio Bolsonaro, porém, abriu uma nova disputa na corte. A reação de Flávio Dino, que derrubou a ordem do colega, surpreendeu o entorno de Mendonça.

Segundo apuração da Jovem Pan, pessoas próximas ao ministro, que também é vice-presidente do TSE, acreditavam que a proximidade da votação favoreceria uma redução dos atritos. A sequência de decisões e ofícios no Supremo contrariou essa expectativa.

O acúmulo de petições sobre questões eleitorais também tem surpreendido integrantes mais antigos da corte. Nos bastidores, chama atenção a apresentação desses pedidos em ações que já tramitam no STF e têm relator definido, em vez da abertura de novos processos.

Interlocutores ouvidos pela Jovem Pan lembram que Mendonça e Nunes Marques também mandaram retirar publicações que associavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, a facções criminosas ou continham ataques à sua honra. Na avaliação desses auxiliares, aquelas decisões não mobilizaram a militância nem tiveram repercussão semelhante à do caso Nossa Senhora.

Pessoas próximas aos magistrados sustentam que, embora a publicação do ator mencione milicianos sem citar nominalmente Flávio Bolsonaro, o contexto permite associá-la ao candidato. Para esses interlocutores, a mensagem se insere em uma sequência de críticas à família Bolsonaro e de tentativas de vincular o candidato às milícias do Rio de Janeiro.

A discussão prevista para esta quarta-feira (30), no entanto, não deve ocorrer. A pauta divulgada pela assessoria do STF no início da noite desta terça-feira (29) não inclui a análise da decisão de Dino, que deverá ser examinada pelo plenário.

Nos bastidores, o presidente do Supremo, Edson Fachin, tem sondado os colegas e identificado falta de ambiente para discutir o tema antes das eleições de domingo, 4 de outubro. O movimento repete a interlocução adotada em outros momentos de tensão nas últimas semanas.

Ao completar um ano na presidência da corte, Fachin enfrenta novamente a tarefa de administrar divergências e baixar a temperatura entre os ministros às vésperas da votação.