Uma coluna publicada pelo Wall Street Journal, assinada por Mary Anastasia O’Grady, afirma que o escândalo envolvendo o Banco Master está levando setores da sociedade brasileira a repensarem a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e o poder exercido nos últimos anos pelo ministro Alexandre de Moraes.

O texto, publicado no domingo, tem o título “Lula Has a Banco Master Problem”, ou “Lula tem um problema chamado Banco Master”, em tradução livre.

A coluna coloca o caso diretamente no cenário eleitoral brasileiro e diz que o Brasil será o próximo grande teste político da América Latina.

O’Grady parte do avanço recente da centro-direita em diferentes países da região e argumenta que Lula vinha sendo visto como favorito para conquistar mais um mandato, mas que as novas revelações envolvendo o Banco Master podem mudar esse cenário.

A partir daí, a colunista leva a discussão para o Supremo Tribunal Federal e retoma a condenação de Jair Bolsonaro.

Em uma das passagens mais duras do texto, O’Grady afirma que Alexandre de Moraes e os ministros que participaram da condenação do ex-presidente agiram apesar de uma “flagrante falta de provas”.

Na sequência, a crítica se amplia. Segundo a coluna, os juízes passaram “um rolo compressor no império da lei” e usaram a democracia como justificativa.

O’Grady também dirige sua crítica a setores da elite intelectual brasileira. Ela escreve que “os intelectuais brasileiros, a maioria dos quais odiava o não sofisticado Jair Bolsonaro, acompanharam. Agora, estão repensando.”

É justamente essa mudança de percepção que serve como eixo da coluna. O argumento apresentado no Wall Street Journal é que setores que aceitaram o crescimento do poder do Supremo enquanto Bolsonaro era o principal alvo agora começam a olhar de outra forma para esse mesmo poder diante do avanço das investigações sobre o Banco Master.

O caso, segundo a coluna, passou a expor relações, mensagens e interesses que atravessam diferentes áreas de Brasília.

A investigação envolvendo o banco e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro, deixou de ser apenas uma apuração sobre um colapso financeiro e passou a produzir efeitos políticos e institucionais.

O’Grady usa esse ambiente para fazer uma comparação com os últimos anos. Na leitura apresentada na coluna, medidas vistas como aceitáveis quando adotadas em nome da defesa da democracia passaram a ser questionadas quando o alcance dessas mesmas estruturas de poder começou a atingir personagens de outros setores.

É nesse contexto que a frase “agora, estão repensando” ganha importância. O texto sugere que o Banco Master abriu uma discussão que vai muito além do banco.

A discussão envolve os limites do Supremo, o papel de Alexandre de Moraes, a postura adotada por setores da sociedade durante o confronto com Bolsonaro e a forma como essas mesmas pessoas enxergam hoje a atuação do Judiciário.

A coluna também relaciona diretamente o caso ao futuro político de Lula. O título não deixa dúvida sobre esse ponto: para O’Grady, o Banco Master se transformou em um problema para o presidente justamente quando o Brasil entra na reta decisiva da eleição.

O raciocínio da coluna é que o desgaste provocado pelo caso atinge a confiança nas instituições e cria um ambiente político mais difícil para Lula, ao mesmo tempo em que reabre discussões que pareciam restritas ao campo bolsonarista.

A crítica ao Supremo aparece como uma peça central dessa análise. Ao falar em “flagrante falta de provas” e em “rolo compressor no império da lei”, O’Grady retoma uma crítica que já havia feito anteriormente à forma como o Judiciário brasileiro conduziu o caso Bolsonaro.

Agora, porém, ela conecta essa crítica a um novo cenário. Segundo a coluna, a diferença é que o desconforto com o poder do Supremo não estaria mais limitado aos apoiadores do ex-presidente.

A frase “agora, estão repensando” resume justamente essa tese. Para O’Grady, o caso Banco Master colocou sob pressão pessoas e instituições que antes acompanharam ou aceitaram a expansão do poder da Corte.

A investigação também entrou diretamente na disputa eleitoral e passou a ser usada tanto pelo governo quanto pela oposição.

O efeito político do caso é ampliado pelo fato de atingir diferentes campos.

As apurações não ficaram restritas a aliados do governo e também alcançaram nomes ligados à família Bolsonaro, o que aumentou ainda mais a dimensão do escândalo.

Mesmo assim, a coluna concentra sua análise em Lula e no Supremo.

O’Grady sustenta que o problema político para o presidente não está apenas nas investigações propriamente ditas, mas no desgaste institucional criado pelo caso e no momento em que esse desgaste ocorre.

O Brasil vai às urnas em 4 de outubro.

É nesse contexto que o Wall Street Journal publica uma coluna que mistura Banco Master, Lula, Alexandre de Moraes, Jair Bolsonaro e o papel do Supremo nos últimos anos.

A conclusão que atravessa o texto é que o escândalo deixou de ser apenas financeiro.

Na leitura de O’Grady, ele virou também uma crise de confiança, uma discussão sobre os limites do Judiciário e um teste político importante para Lula.

E a frase que melhor resume o argumento da coluna talvez seja justamente a mais curta:

“Agora, estão repensando.”