O presidente Donald Trump pediu, nesta segunda-feira (2), a participação de seus apoiadores nas eleições de meio de mandato “mais importantes de nossas vidas”, na véspera de uma votação que aponta para a perda do controle republicano no Congresso.

Democratas e republicanos realizaram os últimos comícios de uma campanha que custou a ambos os partidos pelo menos 11 bilhões de dólares (aproximadamente 60 bilhões de reais), e com surpresas até o último momento.

“Este é o último dia antes das eleições de meio de mandato, as mais importantes, creio, de nossas vidas”, declarou Trump em Washington, em um ato para reinaugurar a restauração do espelho d’água do Lincoln Memorial.

Os democratas demonstram um cauteloso otimismo, apesar de golpes inesperados, como a declaração de uma ex-candidata ao Senado no importante estado de Michigan, que decidiu pedir votos para o republicano.

Os americanos estão convocados a renovar a totalidade da Câmara dos Representantes (435 cadeiras) e um terço (35 dos 100 assentos) do Senado. Além disso, devem escolher 36 governos estaduais.

Em sua última projeção antes do dia da eleição, a empresa de previsões Decision Desk HQ estimava que o Senado passaria a uma maioria de 52–48 a favor dos democratas e que o partido opositor obteria uma confortável vantagem de 241–194 na Câmara dos Representantes.

Em caso de vitória, a oposição pretende abrir diversas investigações contra o presidente Trump, seu governo e sua família, além de tentar bloquear suas nomeações, assim como o financiamento da guerra no Irã.

A ala socialista dos democratas, que pode emplacar um número recorde de representantes e senadores, quer inclusive abrir um debate sobre o futuro da polícia migratória (ICE).

Os republicanos esperam apenas manter o controle de uma das duas Casas e obrigar os democratas a negociar as verbas orçamentárias.

O que está em jogo

A votação antecipada já bateu um recorde: 53 milhões de pessoas já depositaram seus votos em todo o país.

“Poderíamos ver, inclusive, um recorde de participação total, parece altamente provável”, declarou ao canal CBS David Becker, diretor executivo do Centro para Inovação e Pesquisa Eleitoral.

Para retomar o controle do Senado, os democratas precisam virar quatro cadeiras. As pesquisas indicam uma vantagem apertada dos democratas em cinco estados, alguns tradicionalmente conservadores, como Texas, Carolina do Norte e Kansas.

No Michigan, a grande surpresa foi protagonizada pela democrata Haley Stevens, que, a 24 horas das eleições, apareceu ao lado do candidato republicano Mike Rogers, inicialmente em desvantagem, segundo as pesquisas.

Ela havia perdido nas primárias do Partido Democrata para o candidato oficial, o progressista Abdul El Sayed, que se destacou por suas posições contra Israel.

País polarizado

Sete em cada 10 americanos têm uma má avaliação sobre Donald Trump, de sua incapacidade de controlar a inflação ainda alta e da guerra que declarou ao Irã e que se prolonga inexoravelmente.

O presidente conta com uma enorme popularidade entre sua base, mas em um país polarizado como os Estados Unidos são os eleitores independentes que fazem a balança pender para um lado ou outro.

Uma derrota estrondosa poderia significar o começo do fim da presidência Trump. O republicano foi alvo de duas tentativas de impeachment por parte dos democratas durante seu primeiro mandato.

Em tom desafiador, ele advertiu que pode virar o “Sr. Veto” para barrar as iniciativas legislativas da oposição.

O mandatário afirmou nesta segunda-feira que não descartava conceder perdões presidenciais a aliados como o multibilionário Elon Musk. “Nem sequer pensaria duas vezes (…) Eu faria isso”, disse em um podcast.

Gasto bilionário

Os perdões “preventivos” se tornaram um dos aspectos mais polêmicos que cercam o fim de um mandato presidencial nos Estados Unidos.

O ex-presidente democrata Joe Biden indultou seus próprios familiares pouco antes de deixar a Casa Branca, diante da possibilidade de qualquer condenação judicial.

Musk, um grande aliado de Trump, contribuiu com quase 500 milhões de dólares (2,7 bilhões de reais) em campanhas de candidatos republicanos.

Do lado democrata, o grande doador nas sombras é o também bilionário George Soros.

A noite eleitoral pode ser longa. No Alasca, a crise provocada por dois candidatos rivais com o mesmo nome levou o governo Trump a tentar impugnar o resultado. O governo do estado já anunciou uma investigação interna.