O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou neste sábado as falas do candidato à Presidência e senador, Flávio Bolsonaro, sobre o aquecimento global, que, durante sabatina do Jornal Nacional, da TV Globo, se negou a afrmar que acredita no aquecimento global.

Segundo o mandatário, negar o aquecimento global em pleno século XXI e reduzir o combate às mudanças climáticas a saneamento básico dá a dimensão do amadorismo irresponsável de quem se propõe a governar um país.

“É retrato de gente que vende soluções simples para problemas complexos. É da lavra do povo que nega a importância das vacinas e de gente que anda acompanhado de quem prega o fim do voto feminino. Gente que não ouve a ciência.”, escreveu Lula.

Em seu texto publicado no X, Lula destacou um exemplo atual para poder reforçar o seu posicionamento sobre o tema. O candidato á reeleição, citou o El Niño que tem acontecido neste ano e descatou que seu governo possui uma Sala de Situação que reúne 24 ministérios e dezenas de especialistas.

‘Governar o Brasil não é para aventureiros. Quem não entende a gravidade das questões conectadas ao clima, opera na lógica de “passar a boiada” e enxerga o mundo com a lente embaçada do negacionismo, certamente não tem preparo para guiar o futuro de uma nação’., disse Lula.

Durante sabatina, realizada na sexta-feira (28), quando questionado sobre o aquecimento global, Flávio Bolsonaro disse que o que ocorrer são ‘eventos climáticos extremos’.

“Não é sobre influência dos atos humanos. Para mim, o que acontece hoje é que são eventos climáticos que são extremos. Excesso de calor, excesso de chuva, excesso de seca. Eu acredito que são efeitos cíclicos”, disse o senador.

Confira o posicionamento de Lula

Negar o aquecimento global em pleno século XXI e reduzir o combate às mudanças climáticas a saneamento básico dá a dimensão do amadorismo irresponsável de quem se propõe a governar um país. É retrato de gente que vende soluções simples para problemas complexos. É da lavra do povo que nega a importância das vacinas e de gente que anda acompanhado de quem prega o fim do voto feminino. Gente que não ouve a ciência.

E que fique claro: saneamento básico é fundamental. Tanto que, desde 2023, destinamos R$ 23 bilhões para obras de abastecimento, esgoto e resíduos, além de R$ 3,5 bilhões para destravar obras abandonadas anteriormente. Mas enfrentar a crise climática de verdade exige muito mais. Demanda compromisso. Antecipação. Trabalho em várias frentes.

» Um exemplo atual: para discutir o impacto potencial do El Niño em 2026 temos uma Sala de Situação que reúne 24 ministérios e dezenas de especialistas. Da saúde à energia, da assistência social à segurança alimentar. De unificação de dados a monitoramento de rios e sistemas de alerta. Prevenção e resposta a desastres. Investimento: são R$ 1,3 bilhão destinados.

» Isso nos garante previsibilidade. Não temos o poder total de conter ou antecipar ciclones, enchentes, estiagens, deslizamentos, incêndios. Mas temos planos claros de ação.

» Prevenção a desastres se faz ainda com obras estruturantes: são R$ 18,6 bilhões no Novo PAC para drenagem urbana e contenção de encostas. Modernizamos alertas com o Cemaden em 1.427 municípios e via sinal direto de celular pela Defesa Civil.

» Pelo Fundo Amazônia, o mesmo que ficou parado na gestão anterior, usamos meio bilhão para modernizar equipamentos, veículos e estruturar bases. Mapeamos regiões críticas. Temos agora mais helicópteros, aviões, viaturas e equipamentos destinados diretamente ao combate a incêndios.

» Investimos em estoques de emergência de alimentos essenciais para momentos de crise. No SUS, criamos Centros de Informação em Clima e bases regionais da Força Nacional do SUS.

» Na energia, estamos garantindo a segurança elétrica com R$ 118 bilhões em geração renovável e R$ 107 bilhões em transmissão (equivalente a duas Itaipus de nova capacidade instalada). O Novo PAC contempla R$ 15 bilhões em obras de segurança hídrica essenciais no Nordeste.

» É com essa perspectiva que revertemos o abandono da gestão ambiental anterior. Reduzimos o desmatamento em 50% na Amazônia, 32,5% no Cerrado e 63% no Pantanal. Fortalecemos IBAMA e ICMBio. Chegamos a 4,4 mil brigadistas federais em 2026 nos cinco biomas, aumento de 40% em relação a 2022.

» O Brasil voltou a ser protagonista global. Sediamos a COP30, lideramos discussões sobre financiamento climático e conservação de florestas, sempre tendo como prioridade o bem-estar das populações que vivem embaixo das árvores e à margem dos rios.

Governar o Brasil não é para aventureiros. Quem não entende a gravidade das questões conectadas ao clima, opera na lógica de “passar a boiada” e enxerga o mundo com a lente embaçada do negacionismo, certamente não tem preparo para guiar o futuro de uma nação.