O governo brasileiro repudiou nesta terça-feira (7) a participação do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência dos Estados Unidos sobre tarifas e citou nominalmente Daniel Vorcaro e o caso Master em nota.

“Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, (Flávio) omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniela Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai”, escreveu o governo.

No texto, o governo diz que Flávio deveria ter defendido as alegações infundadas do governo norte-americano de taxar o Brasil e não “legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do Brasil”.

Mais cedo, o deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP) também criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a repercussão de sua viagem ao Congresso dos Estados Unidos. “Não foi defender o Brasil, foi defender seus interesses eleitorais”, escreveu em publicação na rede social X.

Segundo o parlamentar, a comitiva de oposição viajou a Washington com o objetivo de articular o adiamento de tarifas econômicas e restrições ao PIX para o período pós-eleitoral. Boulos classificou o episódio como “vergonhoso” e disse que o senador prioriza interesses eleitorais no luigar de defender os interesses brasileiros no exterior.

Flávio nos EUA

Flávio Bolsonaro defendeu o sistema de Pix em audiência com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a proposta de imposição de tarifas a produtos brasileiros que entrem em território americano.

O senador argumentou que o sistema foi lançado durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, e que nunca foi um problema para o sistema financeiro, mas que complementa o sistema de pagamento dos EUA.

Flávio pediu que as taxas de 25% que seriam impostas pelo governo americano sejam canceladas, para que os países possam “negociar” e não prejudicar a população brasileira.

Falando sobre as eleições de 2026, ele ressaltou que o cenário pode mudar em 90 dias e que seria uma situação difícil de ser revertida caso fossem impostas tarifas agora.

Ao falar sobre a derrubada de posts em redes sociais americanas, segundo apurado pela Jovem PanFlávio culpou o Supremo Tribunal Federal e o presidente Lula (PT) pelas medidas.

Entenda a audiência

Ao menos 40 entidades e empresas brasileiras e estadunidenses se inscreveram para participar da sessão que discute a proposta de taxar o Brasil.

Entre as organizações brasileiras credenciadas para apresentar seus argumentos durante a audiência estão a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA); o Conselho Brasileiro de Exportadores de Café (Cecafé); a Confederação Nacional da Indústria (CNI); União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica); Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Embraer, entre outras.

Instaurada em 15 de julho de 2025, a análise estadunidense dos “atos, políticas e práticas brasileiras” se debruça sobre seis aspectos: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.