Depois de oito anos à frente do Acre, Gladson Cameli (PP) tenta retornar ao Senado nas eleições de 2026. O ex-governador deixou o Palácio Rio Branco em abril, antes do fim do segundo mandato, para concorrer a uma das duas vagas do estado na Casa.
Aos 48 anos, Cameli acumula duas décadas de vida política. Antes de chegar ao governo, cumpriu dois mandatos como deputado federal e foi eleito senador. Em 2018, interrompeu o mandato no Senado para disputar o Executivo acreano e venceu no primeiro turno. Quatro anos depois, repetiu o resultado e conquistou a reeleição também sem necessidade de segundo turno.
Nascido em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, em 26 de março de 1978, Gladson de Lima Cameli é engenheiro civil e empresário. Formou-se pelo Instituto Luterano de Ensino Superior de Manaus e trabalhou em empresas antes de ingressar na política. Cameli também pertence a uma família com histórico na política acreana. É sobrinho de Orleir Cameli, governador do Acre entre 1995 e 1999, e neto, pelo lado materno, do ex-deputado estadual Rezene de Souza Lima.
Dois mandatos
A primeira eleição de Gladson Cameli ocorreu em 2006. Aos 28 anos, foi eleito deputado federal pelo PP e assumiu uma cadeira na Câmara em fevereiro de 2007. Quatro anos depois, conquistou a reeleição. Durante os dois mandatos, participou de comissões ligadas principalmente à infraestrutura, energia e desenvolvimento regional.
Entre 2011 e 2012, presidiu a Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional da Câmara. Também foi primeiro vice-presidente da Comissão de Minas e Energia e integrou a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
A atuação no Congresso esteve ligada ainda a temas de interesse direto do Acre e da Região Norte, como infraestrutura rodoviária e integração regional. Na Câmara, Cameli foi coordenador da frente parlamentar em defesa da BR-364, uma das principais ligações terrestres do estado.
Eleição para o Senado
Depois de oito anos como deputado federal, Cameli decidiu concorrer ao Senado em 2014. Foi eleito com 218.756 votos, equivalentes a 58,36% dos votos válidos, e assumiu o mandato em fevereiro de 2015. A vitória colocou o então deputado em um dos principais cargos da política acreana aos 36 anos.
A passagem pelo Senado, no entanto, durou apenas quatro anos. Em 2018, Cameli deixou a disputa legislativa para tentar realizar um projeto que já vinha sendo construído dentro do PP: chegar ao governo do Acre.
Fim de um ciclo
Gladson Cameli entrou na eleição estadual de 2018 como principal nome da oposição ao grupo político que comandava o Acre havia duas décadas. Desde a eleição de Jorge Viana em 1998, candidatos ligados ao PT haviam vencido cinco disputas consecutivas pelo governo estadual. Além dos dois mandatos de Viana, o partido elegeu Binho Marques em 2006 e Tião Viana em 2010 e 2014.
Cameli encerrou esse ciclo ao vencer a eleição de 2018 ainda no primeiro turno. Com Major Rocha como candidato a vice, recebeu 53,71% dos votos válidos e derrotou, entre outros adversários, Marcus Alexandre, candidato do PT. Para assumir o governo em janeiro de 2019, renunciou ao mandato de senador.
A vitória levou o PP ao comando do Acre e transformou Cameli, que até então havia construído toda a carreira em cargos legislativos, no principal nome do Executivo estadual.
Reeleição no 1º turno
Quatro anos depois, Gladson Cameli concorreu à reeleição, desta vez tendo Mailza Assis como candidata a vice. Em 2022, voltou a vencer no primeiro turno, com 242.100 votos, ou 56,75% dos votos válidos. Entre os adversários estavam o ex-governador Jorge Viana (PT), Mara Rocha, Sérgio Petecão e Márcio Bittar.
O resultado garantiu a Cameli mais quatro anos no Palácio Rio Branco e manteve o grupo político liderado pelo Progressistas no governo estadual. O segundo mandato, porém, não seria cumprido até o fim.
Saída do governo
Em abril de 2026, Gladson Cameli deixou o governo do Acre para poder concorrer nas eleições de outubro. Com a renúncia, Mailza Assis assumiu definitivamente o Palácio Rio Branco, tornando-se a segunda mulher a governar o estado. A mudança também reorganizou o grupo governista para a eleição. Enquanto Mailza passou a disputar um mandato próprio à frente do Executivo, Cameli voltou a mirar o cargo que havia deixado oito anos antes.
O Progressistas oficializou sua candidatura ao Senado em agosto. Beatriz Cameli, viúva do ex-governador Orleir Cameli e tia de Gladson, foi escolhida como primeira suplente, enquanto Debora Nunes ocupa a segunda suplência. Aos 48 anos, Cameli chega assim à eleição de 2026 depois de ter ocupado três dos principais cargos eletivos disponíveis a um político do estado: deputado federal, senador e governador.
Agora, tenta completar um movimento de retorno. Depois de deixar o Senado para governar o Acre em 2018, Gladson Cameli busca novamente uma cadeira na Casa oito anos depois, desta vez carregando como principal ativo político os dois mandatos consecutivos que exerceu no comando do estado.
