Aos 63 anos, Reinaldo Azambuja Silva carrega no currículo a marca de quem construiu uma das trajetórias políticas mais estruturadas do Centro-Oeste nas últimas décadas. Agropecuarista por formação e escolha, ele migrou da gestão das propriedades rurais da família para a vida pública na década de 1990. Desde então, pavimentou um caminho que o levou da Prefeitura de Maracaju ao comando do Poder Executivo de Mato Grosso do Sul por dois mandatos consecutivos (2015–2022).

Com as credenciais de ter sido o padrinho político da eleição do sucessor Eduardo Riedel, Azambuja enfrenta um novo capítulo em sua carreira política: a disputa por uma das duas vagas ao Senado Federal pelo Partido Liberal (PL).

Raízes no agronegócio

Nascido em Campo Grande em 13 de maio de 1963, Reinaldo assumiu jovem a responsabilidade pela condução das propriedades rurais da família no município de Maracaju, logo após a morte do pai, em 1982. Foi no ambiente produtivo que desenvolveu trânsito entre lideranças rurais e reputação de gestor focado em resultados.

Sua estreia nas urnas ocorreu em 1996, quando foi eleito prefeito de Maracaju. O desempenho à frente da administração municipal garantiu sua reeleição em 2000 e projetou seu nome no cenário político estadual. A passagem pelo Executivo municipal serviu de base para os passos seguintes no Poder Legislativo:

  • 1997 – 2004 Prefeito de Maracaju: Dois mandatos marcados pela modernização da gestão e apoio ao agronegócio.
  • 2007 – 2011 Deputado Estadual: Mandato de fevereiro de 2007 a fevereiro de 2011, com atuação voltada à interiorização de investimentos e infraestrutura.
  • 2011 – 2014 Deputado Federal: Defesa das pautas municipalistas e da cadeia produtiva do Centro-Oeste em Brasília. Renunciou em dezembro de 2014 para assumir o governo.

O ciclo no Governo do Estado

O salto para a liderança estadual consolidou-se em 2014, quando venceu as eleições para o Governo de Mato Grosso do Sul no segundo turno. Assumindo o cargo em meio a um cenário de recessão nacional, pautou seu governo pelo ajuste fiscal, atração de investimentos industriais — com destaque para o fortalecimento do polo florestal de celulose — e expansão da malha viária estadual.

A reeleição em 2018 confirmou sua densidade eleitoral. Ao longo dos oito anos à frente do Parque dos Poderes, manteve ampla governabilidade e articulou a transição política que culminou na eleição de Eduardo Riedel, seu ex-secretário de Governo e Gestão Estratégica (2015–2021) e depois de Infraestrutura (2021–2022), para o Governo do Estado em 2022.

Historicamente associado ao PSDB, partido no qual militou por cerca de três décadas e ajudou a estruturar no estado, Azambuja efetuou uma movimentação tática ao se filiar ao Partido Liberal (PL) em 2025. A transição aproximou sua base política do eleitorado conservador e fortaleceu a aliança com o agronegócio sul-mato-grossense.

Competindo pelo Senado, Azambuja se apresenta como um perfil pragmático, ancorado na capacidade de articulação de verbas federativas e no conhecimento técnico dos desafios logísticos e fiscais do estado.