Fernanda Bolsonaro, que pode se tornar primeira-dama do Brasil caso Flávio vença a disputa presidencial, viveu longe dos holofotes até recentemente. Mas, com o lançamento da campanha do marido Flávio Bolsonaro à Presidência, Fernanda passou a ocupar um lugar estratégico na política. 

Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro é casada com Flávio, com quem tem duas filhas (Carolina e Luiza), desde 2010. Ela é cirurgiã-dentista especializada em ortodontia e ortopedia facial e atende adultos e crianças em consultório próprio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. 

Prova de que levava uma vida discreta, até dezembro de 2025, sua conta no Instagram não tinha nenhuma publicação. Contudo, após o anúncio da então pré-candidatura do marido à corrida presidencial, Fernanda passou a alimentar suas redes sociais constantemente. Em um vídeo falando sobre Flávio, ela diz: “Não é à toa que você é o Bolsonaro moderado. Reeduquei ele”. Na internet, a possível primeira-dama também defende a saúde e as mulheres. 

Além da presença digital, Fernanda passou a comparecer a eventos para apoiar a candidatura do marido. Sua figura foi crucial durante o desgaste entre Flávio e Michelle. A ex-primeira-dama acusou o enteado de tê-la maltratado e humilhado. A crise se agravou quando Michelle deixou a liderança do PL Mulher. Nesse contexto, Fernanda defendeu o marido nas redes sociais, descrevendo-o como um “homem leve, respeitoso, carinhoso, restaurado e um pai dedicado”. Logo após o desentendimento, ela também compareceu a uma reunião de mulheres do partido ao lado de Flávio.

Com o lançamento do plano do marido e da ex-presidente da Caixa Daniella Marques “Brasil Por Elas”, voltado ao eleitorado feminino, o nome de Fernanda deve permanecer em evidência até o final da campanha presidencial. 

Controvérsias

Apesar da vida reservada até o lançamento da candidatura de Flávio, o nome de Fernanda já esteve envolvido em controvérsias. Um deles é o caso da franquia de chocolates Kopenhagen, adquirida pelo marido, na época deputado estadual, em 2014. A compra foi feita em sociedade com o empresário Alexandre Ferreira Dias Santini. 

O Ministério Público do Rio de Janeiro chegou a questionar a capacidade financeira do casal para comprar e manter a franquia. Documentos bancários mostraram dois depósitos de R$ 1.045.504,68 (em valores corrigidos pelo IPCA) de Fernanda para a empresa, embora ela não fosse sócia formalmente. A investigação também apontou depósitos em espécie feitos por Fabrício Queiroz na conta dela.

O caso foi encerrado após o STJ anular as provas da investigação, em 2021. Em 2022, o Tribunal de Justiça do Rio rejeitou a denúncia e, em fevereiro deste ano, o ministro Gilmar Mendes, do STF, rejeitou recurso da promotoria, mantendo o entendimento das instâncias anteriores.

Além dos imóveis que entraram no escopo da investigação das “rachadinhas”, o nome de Fernanda voltou a aparecer em 2021, quando o casal comprou uma mansão em Brasília por R$  7.562.320,20 (em valores corrigidos pelo IPCA). Metade do valor foi pago à vista e o restante financiado pelo BRB. O financiamento, previsto para 30 anos, foi quitado em apenas três, em 2024.

Mais recentemente, Fernanda foi citada no inquérito que apura a trama golpista. Segundo a Polícia Federal, ela teria criado um documento que formulava um pedido de asilo para Jair Bolsonaro na Argentina, caso ele precisasse deixar o Brasil. Fernanda, porém, não foi denunciada no caso.