A circulação de uma notícia falsa sobre a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida colocou a religião no centro da disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação, que ganhou força nas redes sociais desde quinta-feira (24), atribui ao senador a intenção de acabar com o reconhecimento da santa. A história é falsa, mas provocou reações das duas campanhas a poucos dias do primeiro turno das eleições.
A repercussão levou aliados de Flávio a preparar uma ofensiva jurídica e digital para conter a circulação do conteúdo. Do outro lado, a primeira-dama Janja e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) fizeram publicações relacionadas à proteção das tradições católicas.
Como começou a polêmica?
A controvérsia ganhou força com publicações nas redes sociais que associavam Flávio Bolsonaro à suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de padroeira do Brasil.
A história tem relação com um projeto apresentado em dezembro de 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, à época filiado ao MDB. A proposta tratava da alteração do título concedido à santa, mas foi arquivada em 2008. Não se trata de um projeto apresentado por Flávio Bolsonaro.
Apesar disso, a narrativa voltou a circular nas redes sociais durante a reta final da campanha presidencial, provocando mobilização entre eleitores católicos.
O que Flávio Bolsonaro disse?
O senador negou que pretenda retirar o título de Nossa Senhora Aparecida e classificou a informação como falsa.
A campanha passou a acompanhar a repercussão do episódio e demonstrou preocupação com os possíveis efeitos eleitorais da narrativa, especialmente entre os católicos.
Segundo apuração da Jovem Pan, a equipe do candidato avalia que o alcance das publicações exige uma reação rápida para evitar que a informação continue se espalhando.
“Agora é trabalhar pesado e correr para conter os estragos”, afirmou um aliado.
Qual será a reação da campanha?
A estratégia envolve medidas jurídicas contra a disseminação da notícia falsa e uma mobilização nas redes sociais. A intenção é utilizar aliados com capacidade de alcançar diferentes públicos para esclarecer a informação.
Uma das pessoas escaladas é a deputada federal Simone Marquetto (PP), que chegou a ser cotada para ocupar a vice de Flávio e mantém proximidade com o eleitorado católico.
Na sexta-feira (25), durante a passagem do senador pelo rodeio de Jaguariúna, no interior de São Paulo, os dois gravaram um vídeo para rebater a informação.
Outros aliados também devem participar da movimentação. Inicialmente, porém, a campanha não previa uma ação mais ostensiva do próprio candidato, como visitas a igrejas ou aparições específicas com imagens de Nossa Senhora Aparecida.
Qual foi a repercussão nas redes sociais?
Um levantamento da Palver, empresa de tecnologia e inteligência, identificou que cerca de 37% das mensagens analisadas trataram a narrativa como verdadeira.
Segundo a empresa, o conteúdo provocou mobilização entre católicos e pedidos de voto contra Flávio Bolsonaro.
O pico da repercussão ocorreu na sexta-feira (25), quando foram registradas 735 menções ao tema a cada 100 mil mensagens nas redes sociais. Nos serviços de mensagens, o índice foi de 15 menções a cada 100 mil.
Os dados ajudam a explicar a preocupação da campanha com a disseminação do conteúdo na reta final da disputa presidencial.
Como Lula e Alckmin reagiram?
A primeira-dama Janja publicou uma fotografia do presidente Lula segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.
Já o vice-presidente Geraldo Alckmin divulgou um vídeo afirmando que havia recebido mensagens de “católicos preocupados” com a polêmica. Sem mencionar diretamente Flávio Bolsonaro, ele defendeu a preservação das tradições religiosas.
“Enquanto o presidente Lula e eu estivermos governando este país, as tradições religiosas, tão sagradas para as famílias brasileiras, estarão protegidas e preservadas”, afirmou.
Alckmin também declarou que o Brasil deve respeitar todas as religiões e é capaz de “conservar pacificamente as tradições católicas”.
