O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse nesta quinta-feira (5) que vai “levar ao túmulo” as informações de como conseguiu fugir do Brasil após perder para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, no dia 25 de outubro.

A declaração foi feita ao jornal norte-americano The New York Times durante a primeira entrevista que o senador concedeu após sair do Brasil.

Segundo Flávio, a ideia de fugir do Brasil foi apenas dele. “Não tive nenhuma ajuda de ninguém, de nenhum governo. Como eu cheguei aqui, vou levar ao túmulo comigo”, afirmou.

O senador fugiu na madrugada do dia 28 de outubro da Argentina, em um jato particular com destino à Flórida, ao lado da mulher e das duas filhas, depois que a polícia cancelou seus passaportes em uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro.

Um dia após a chegada de Flávio nos EUA, o proprietário da companhia aérea que levou o senador e a família aos EUA informou que o voo para fugir do Brasil foi contratado e pago por um intermediário do setor aeronáutico, por meio de uma conta nos Estados Unidos.

Durante a entrevista, Flávio relembrou a prisão do pai, Jair Bolsonaro – que foi condenado a 27 anos de reclusão – e afirmou que sabe que seu desfecho será o mesmo e , por isso, decidiu ir para os EUA. “Eu já sei que o final da história será minha prisão”, completou.

Fuga de Flávio

O senador, de 45 anos, que não reconheceu sua derrota eleitoral para o presidente Lula, é alvo de várias investigações no Brasil. A Polícia Federal (PF) havia solicitado que Flávio entregasse seus passaportes e proibido que ele saísse do país, apensar de não ter ordem de prisão.

Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos no dia 28 de outubro, após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina. A aeronave desembarcou em Miami depois de uma escala em Guayaquil, no Equador. O candidato derrotado descumpriu determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o proibia de sair do território brasileiro e exigia a entrega de seus passaportes.

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, às 22h50 do dia 27. Depois da travessia, a família seguiu para o Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, de onde embarcou em um avião particular.

A aeronave fez uma parada para reabastecimento em Guayaquil antes de seguir para Miami. De acordo com informações do serviço de rastreamento FlightAware, o avião pousou no Equador às 5h25 e decolou novamente às 6h22, com previsão inicial de chegada aos Estados Unidos às 11h39, no horário de Brasília. O trajeto, segundo o portal argentino Infobae, foi planejado para evitar o espaço aéreo brasileiro.