A ex-senadora Kátia Abreu criticou a participação da primeira-dama Janja da Silva na campanha à reeleição do presidente Lula (PT) e defendeu uma presença maior do vice Geraldo Alckmin. Em entrevista ao jornal GLOBO, ela afirmou que a prioridade da campanha deve ser conquistar votos para a reeleição do petista.
Nesta hora, qual é a prioridade: aparecer ou eleger o marido? Para mim, é eleger o Lula. Não se trata de implicância com ela, se trata de uma implicância com o excesso dela que não está gerando coisas positivasEx-senadora Kátia Abreu
A declaração foi dada após a ex-senadora defender, em uma reunião do PT, uma estratégia de “mais Alckmin, menos Janja”. Perguntada sobre o que quis dizer com a frase, Kátia Abreu afirmou que a avaliação não é uma crítica pessoal à primeira-dama nem tem relação com gênero, mas com o impacto eleitoral de sua participação nos eventos.
“Está causando simpatia? Está gerando voto? Nós estamos percebendo que não, e isso está na boca de todo mundo. Isso não tira o valor dela”, explicou a ex-senadora.
Janja tem aparecido com frequência nos atos da campanha de Lula. No lançamento da candidatura em julho, por exemplo, em São Bernardo do Campo, ela discursou e homenageou Marisa Letícia, ex-esposa do petista, antes de cantar o jingle de campanha ao lado do pastor evangélico Kleber Lucas.
Já em agosto, durante um comício em Bangu, no Rio de Janeiro, a primeira-dama voltou a cantar com Kleber Lucas. No dia 9 de setembro, em Teresina (PI), ela fez um discurso em defesa da reeleição e chamou Lula de “o verdadeiro ungido de Deus”.
Presença de Alckmin na campanha
Na avaliação da ex-senadora, Alckmin poderia contribuir para ampliar o apoio a Lula em diferentes setores. Ela citou a experiência política do vice-presidente, que já foi governador e prefeito de São Paulo, além de ter disputado a Presidência contra Lula.
“Ele precisa aparecer mais porque ele ajuda muito, ajuda em São Paulo, ajuda no mercado financeiro, ajuda junto aos empresários, ele ajuda toda sorte”Ex-senadora Kátia Abreu
A ex-senadora chegou ainda a elogiar a possibilidade de o vice-presidente assumir o Ministério da Fazenda, caso essa seja uma decisão de Lula. Para ela, Alckmin teria capacidade política para montar uma equipe econômica e conduzir as medidas necessárias.
“Eu acho simplesmente perfeito. Se de fato o presidente pretende fazer isso, eu aplaudo 100%. Acho que é a figura mais correta. O ministro da Fazenda não precisa ser economista”, disse Kátia Abreu.
Críticas à comunicação do governo
Na entrevista, Kátia Abreu também apontou a comunicação como um dos problemas da campanha de Lula. Para ela, o governo realizou ações em áreas como saúde e educação, mas não conseguiu apresentar essas entregas de forma eficiente à população.
A ex-senadora defendeu a participação de especialistas em comunicação, pesquisas e estratégia eleitoral na reta final da campanha.
“Diante de tanto cuidado com a saúde, com o Mais Médicos, o Mais especialistas, na educação com outra série de medidas, como é que com tanta coisa chega numa situação dessa? O Lula ganhou (em 2022) com 1,9 ponto de vantagem. E aí fez o quê para ampliar? Como é que foi a comunicação disso aqui? Deu foi ré”Ex-senadora Kátia Abreu
“Cadê os especialistas, comunicadores, pessoas que lidam com pesquisa, os estudiosos da área? Tem que montar um mini conselho. Não pode ser o Sidônio dono de tudo, absoluto numa crise desta. Ele falhou. Esse homem (Lula) tem um mundo de programas que qualquer Duda Mendonça faria um carnaval”, finalizou.
