A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) minimizou nesta quarta-feira (1º) as desavenças internas no Partido Liberal (PL) envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ao comentar a possibilidade de Michelle desistir de concorrer a uma vaga no Senado Federal depois de ela deixar a presidência do PL Mulher, Zanatta afirmou que a decisão final caberá à ex-primeira-dama, mas expressou otimismo sobre sua participação no pleito.
“Isso vai ser uma decisão dela, mas eu tenho certeza de que ela vai fazer a escolha de ser candidata“, declarou ao chegar à reunião organizada para que Flávio se aproximasse das mulheres da legenda.
A congressista também tentou afastar as narrativas de atritos na ala bolsonarista em decorrência das recentes discussões sobre os rumos eleitorais de Flávio depois das declarações de Michelle na mídia. “Não tem atrito, é uma questão que vai ser, que está sendo resolvida“, garantiu a deputada, ressaltando que o alinhamento central da sigla permanece inalterado. “Agora a gente só vai pensar em tirar o Lula do poder e colocar o Flávio na Presidência da República.”
Ao ser questionada sobre o recente afastamento de Michelle do comando do PL Mulher, Zanatta afirmou que compreende a escolha da ex-presidente, dada a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Compreendo e imagino o que essa mulher não está passando de ter que cuidar do marido. Ela deixou claro que sua prioridade é sua família”, justificou, mencionando a rotina de cuidados de Michelle com a saúde do ex-presidente.
Críticas ao governo
A deputada catarinense aproveitou o momento para criticar a agenda ideológica do Palácio do Planalto e a linguagem institucional adotada pela atual gestão. Ela virou termos neutros em documentos federais e Zanatta reforçou sua pauta de costumes.
“O governo Lula tem documentos oficiais que tratam as mulheres como pessoas que gestam. Eu não sou uma pessoa que gesta. Sou mulher. Eu sou mãe“, afirmou a deputada, alegando que tais vocábulos promovem um “apagamento” do termo mulher e representam um desrespeito às brasileiras.
Michelle x Flávio
Em vídeo publicado na quarta-feira (24) no Instagram, Michelle Bolsonaro disse que Flávio a humilhou em um telefonema. “Ele me maltratou e disse que eu deveria ficar de fora das decisões do partido”, declarou.
Segundo ela, Flávio a “apunhalou” ao defender o deputado André Fernandes (PL-CE), que é presidente do PL no Ceará. Fernandes declarou apoio ao pré-candidato ao governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB) que, conforme Michelle, chamou ao próprio Flávio e seus irmãos de corruptos e de “ovos de serpentes nazistóides”. A ex-primeira-dama defende a pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE).
Ainda na noite de quarta, o senador e pré-candidato se pronunciou e disse que “nunca maltratou ou humilhou uma mulher” e que se fez, “pede desculpas”.
Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil
A ex-primeira-dama voltou a se pronunciar na manhã desta quinta-feira (25) e também baixou o tom. “Para ficar claro: eu não tenho raiva de ninguém. Apenas esclareci uma situação que estava sendo deturpada”, publicou a presidente do PL Mulher no Instagram.
Michelle também escreveu que não há competição entre ela e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Vamos todos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno. Não há briga, nem competição. Peço apenas que não retirem trechos da minha fala de contexto para gerar confusão. Uma nova história será escrita com verdade, clareza e respeito. Fiquem em paz”, afirmou.
*com informações do Estadão Conteúdo
