O presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) encontrou, nesta quarta-feira (1º), o ex-líder do governo do Senado, Jaques Wagner (PT), uma semana após ele deixar o cargo por ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investiga o Caso Master. O reencontro aconteceu no anúncio da inauguração do Hospital Estadual do Litoral Norte, no município de Alagoinhas, na Bahia.
Durante seu discurso no evento, Lula falou de sua relação com o senador Jaques Wagner e outros políticos do estado, dizendo que “a gente escolhe companheiros” e “nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão”.
A fala chamou atenção por acontecer uma semana após a saída de Wagner da liderança governista no Senado, anunciada cerca de uma hora depois de o senador fazer uma reunião com o presidente Lula na quarta-feira (24). A saída de Jaques do cargo já vinha sendo ventilada antes, após seu nome ser incluído na mesma operação que investiga o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Além de Wagner, na mesma fala Lula citou os políticos da Bahia: Rui Costa (ex-ministro-chefe da Casa Civil), Jerônimo Rodrigues (governador do estado pelo PT), Otto Alencar (senador pelo PSD-BA) e outros deputados presentes no evento, como “companheiros de longa data”.
Wagner investigado
O senador petista Jaques Wagner, considerado um homem de confiança de Lula, teve seu nome incluído na 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga suposta participação de agentes públicos em esquema de irregularidades envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Wagner é investigado devido à sua relação próxima com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master e dono do Banco Pleno. O banqueiro foi o responsável por implementar um sistema de crédito consignado para servidores públicos na Bahia, enquanto Wagner era governador, que depois passou a fazer parte do Master.
Segundo Jaques, ele conheceu Augusto Lima durante o processo de privatização do programa Cesta do Povo, na Bahia, e a relação se consolidou ao longo dos anos. O senador alegou que a PF tenta transformar essa relação em indício de irregularidade, mas negou qualquer troca de favores ou vínculo comercial.
O senador divulgou sua saída da liderança governista no Senado Federal após se reunir com o presidente Lula, dizendo que tomaram a decisão em comum acordo, alguns dias depois de seu nome começar a ser investigado por sua ligação com o esquema de Vorcaro na Bahia.
Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado. Juntos, com humildade e muito trabalho, renovaremos nosso compromisso com o projeto coletivo que vem mudando a Bahia e o Brasil.
