O presidente Lula (PT) disse nesta sexta-feira (18) que não aceita a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV)de facções terroristas, feita pelo governo Donald Trump, e que terrorismo foi o que ocorreu durante os atos golpistas de 8 de Janeiro, com o planejamento de assassinato de autoridades. A declaração aconteceu em um evento de apresentação das forças de segurança pública no Rio de Janeiro, onde cumpre agenda.
“Nós precisamos ganhar do crime organizado. E eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump. Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado, ele não fala da luta e da briga pelo poder. Quem fazia isso? O Bolsonaro tentando dar o golpe no 8 de Janeiro. Isso é terrorismo, pensando em matar Lula, Alckmin e até o Alexandre de Moraes. Isso é terrorismo de Estado”Presidente Lula
Em maio, o governo dos Estados Unidos classificou o PCC e o CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), após também incluí-los na lista de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs). A medida entrou em vigor no dia 5 de junho e permite aos EUA impor sanções e bloquear ativos ligados às facções no país.
Ainda no evento no Rio de Janeiro, Lula disse que Trump tem interesse nos recursos minerais do Brasil e defendeu a ampliação dos investimentos do país em segurança nacional.
“O petróleo (da Margem Equatorial) parece que é de melhor qualidade. Então, nós temos que tomar conta disso […], porque o Trump está aí atrás de minerais críticos, petróleo, terras raras. Não! Isso daqui é nosso. Como vamos controlar 18 mil quilômetros de fronteira sem investimento?”Presidente Lula
Combate ao PCC e ao CV
Na terça-feira (15), Trump criticou o governo Lula em um documento presidencial sobre o combate internacional ao narcotráfico enviado ao Congresso americano. O republicano relatou que o Brasil falhou no enfrentamento ao PCC e ao CV e disse que as duas facções transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína.
Trump também afirma que as duas organizações brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo.
Na sequência, o norte-americano cobra diretamente uma mudança de postura do governo brasileiro e afirma que Brasília precisa adotar medidas mais agressivas contra as duas facções.
Segundo Trump, o governo brasileiro precisa agir com urgência para enfrentar e derrotar essas organizações antes que elas se espalhem e cresçam ainda mais.
