A Meta, responsável por redes como o Facebook e o Whatsapp, afirmou que a conta de anúncios da campanha do presidente e candidato à reeleição Lula (PT) foi “desativada por engano por pouco mais de 1 hora, e não por razões políticas.”

Segundo a empresa, a Meta não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição, e que seriam “falsas e infundadas” as alegações de que a plataforma favorece ou interfere em nome de qualquer candidato ou grupo político. “Nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política, e nossas regras e sua aplicação valem igualmente para todos”, escreveu a empresa.

A nota foi divulgada um dia depois da reunião entre representantes da Meta e a cúpula do TSE para tratar do tema. A empresa diz ter apresentado informações que justicam os episódios identificados em meio a eleição.

“Apresentamos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma defesa detalhada e respaldada por dados técnicos em resposta à reclamação da campanha de Lula.”

Campanha de Lula reage

Na quarta-feira (14) a campanha do presidente Lula reagiu à recusa da inteligência artificial da Meta em gerar uma imagem eleitoral do petista, enquanto atendeu a um pedido semelhante envolvendo Flávio Bolsonaro (PL).

Integrante da campanha e do grupo Prerrogativas, o advogado Marco Aurélio Carvalho acusou as big techs de interferirem na disputa eleitoral e afirmou que o grupo não aceitará o que considera um tratamento desigual entre os candidatos.

A inteligência artificial da Meta, disponível no WhatsApp, recusou um pedido para criar uma bandeira verde e amarela com o nome de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o número 13, mas gerou uma imagem semelhante com o nome de Flávio Bolsonaro (PL) e o número 22. A diferença foi identificada em um teste realizado pela Jovem Pan nesta quarta-feira.

Em áudios enviados à Jovem Pan, Marco Aurélio Carvalho afirmou que as eleições devem ser decididas pelo voto e criticou o comportamento da ferramenta da Meta. “Vamos tomar providências jurídicas. Numa democracia de dimensões continentais, como é a democracia brasileira, você tem que ganhar ou perder no voto”, declarou.

Meta responde à campanha

Na quarta-feira também, a Meta respodneu que proibiu temporariamente a recomendação de candidatos e a geração de imagens deles por inteligência artificial, em “cumprimento às regras eleitorais brasileiras”.

O integrante da campanha acusou as plataformas de agir de maneira desleal na disputa. “Eles estão jogando sujo, jogando pesado, e quem tinha dúvidas agora pode comprovar por conta própria”, disse. Carvalho acrescentou que a campanha pretende enfrentar o que chamou de atuação das big techs contra Lula: “Nós vamos ganhar contra o sistema, contra as big techs, contra o ódio, contra a intolerância, contra o crime organizado, contra o conluio nos tribunais”.

Em nota, a gigante da tecnologia afirmou que também adotou medidas para impedir a criação de imagens quando os comandos utilizam apenas o primeiro nome dos candidatos e seus respectivos números nas urnas.

“Em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil, nós proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens”
Nota da Meta