Candidato ao Senado por São Paulo, o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles fez duras críticas ao PL, a Valdemar Costa Neto e a André do Prado durante sabatina à Jovem Pan, no Jornal da Manhã. Ao comentar a disputa pelas duas vagas paulistas ao Senado, Salles afirmou que os bolsonaristas perderam espaço dentro da legenda e questionou a identificação do partido com a direita.

Salles, que foi ministro do Meio Ambiente no governo de Jair Bolsonaro, afirmou que esperava que o grupo ligado ao ex-presidente assumisse o comando político do PL após a chegada de Bolsonaro à legenda, em 2022.

“Nós tínhamos a vontade e a esperança de que a direita verdadeira do presidente Bolsonaro comandasse o PL e o Valdemar ficasse em segundo plano. O que acabou acontecendo é que os bolsonaristas ficaram em segundo plano e o Valdemar e os valdemaristas comandam o partido”, afirmou.

Segundo o candidato, a eleição municipal de 2024 deixou essa situação mais evidente. Salles lembrou que pretendia concorrer à Prefeitura de São Paulo e criticou Valdemar pela decisão de apoiar Ricardo Nunes.

“O Valdemar, ao invés de apoiar um deputado do seu partido, eu, que tinha tido 640 mil votos, o terceiro deputado mais votado da cidade de São Paulo, ex-ministro, ex-secretário, preferiu manter os esquemas dele e todas as conexões que ele tinha com o Ricardo Nunes, do Centrão, igual a ele”, declarou.

Salles disse que outros episódios envolvendo candidaturas do PL pelo país reforçaram sua avaliação sobre a direção da legenda.

“Naquele momento eu vi, e vários outros episódios, não só em relação a mim, mas outros candidatos Brasil afora do PL, a gente percebe que quem manda no PL é o Valdemar”, disse.

Salles mira André do Prado

Na disputa paulista, Salles reservou as críticas mais fortes a André do Prado, a quem chamou de “pupilo” e “cria” de Valdemar Costa Neto. O ex-ministro contestou a identificação do adversário com a direita ao citar políticos que Prado apoiou ao longo de sua trajetória.

“E quem o Valdemar colocou para concorrer ao Senado em São Paulo? O seu pupilo, aquele que é a sua cria, aquele que é a sua imagem e semelhança, André do Prado”, afirmou.

Na sequência, Salles acrescentou: “Uma pessoa que apoiou Dilma Rousseff, Mercadante, Suplicy, Márcio França, João Doria […] e se juntou com o PT pra virar presidente da Assembleia. Ou seja, o André do Prado não representa a direita em momento algum.”

O candidato também mencionou um projeto relacionado a armas de brinquedo para atacar o posicionamento político de Prado. “Como é que alguém que quer se dizer direita tem toda essa trajetória? É absolutamente incoerente. E, portanto, se tem alguém que está dividindo a direita, esse alguém é o André do Prado”, declarou.

Questionado sobre como pretende superar a divisão entre candidatos que disputam o eleitorado de direita em São Paulo, Salles destacou sua própria trajetória política. “Eu tenho 20 anos de militância na direita. Eu fundei o Movimento Endireita Brasil em 2006, completa 20 anos esse ano. E eu sempre procurei ser uma pessoa coerente com as minhas posições”, afirmou.

Salles definiu suas posições como “uma agenda liberal na economia, conservadora nas questões morais e assumidamente de direita” e acrescentou: “Nunca apoiei ninguém do PT, ninguém.” O ex-ministro reconheceu a menor estrutura de seu atual partido, mas afirmou que sua posição nas pesquisas lhe permite disputar com os candidatos que aparecem à frente.

“Não obstante o meu partido, que é pequeno e tem muito menos capilaridade do que os demais, eu estou me mantendo ali, do ponto de vista de pesquisa eleitoral, muito próximo do batalhão que está ali na frente”, disse.

Ele afirmou ainda acreditar que a exposição durante a campanha poderá mudar o cenário da disputa. “Eu tenho certeza que agora, em sabatinas como essa, ou debates, ou quaisquer oportunidades em que nós possamos debater São Paulo […] isso vai impactar muito e vai me dar oportunidade de ultrapassar esses outros candidatos.”

Partido de direita?

Ao ser questionado se o PL deixou de ser um partido de direita, Salles ponderou que a legenda ainda abriga políticos que considera de direita, incluindo Bolsonaro e integrantes das bancadas do partido na Câmara e no Senado. “Há pessoas de direita no PL, sem dúvida alguma. Há muitas. O próprio presidente Bolsonaro e vários dos deputados, senadores, que são bolsonaristas e de direita e que estão lá dentro”, afirmou.

Apesar disso, Salles disse que a atuação de parte dos parlamentares torna difícil, em sua avaliação, classificar a legenda como “o partido da direita”. “É muito difícil você chamar o PL de ‘o partido da direita’, sendo que um terço do PL na Câmara dos Deputados vota com o governo Lula”, afirmou.

Para sustentar a crítica, Salles citou integrantes do PL que, segundo ele, votam com o governo. Também mencionou o desempenho da chapa paulista nas eleições de 2022 e os votos recebidos por candidatos ligados ao bolsonarismo. “Se você pegar dos 17 deputados federais que foram eleitos em 2022, os três mais votados foi a Zambelli em primeiro lugar com 940 mil votos, o Eduardo com 640 e eu com 640. Nós três fizemos juntos oito cadeiras. O PL elegeu 17 aqui em São Paulo”, disse.

Salles afirmou que a situação não se restringe a São Paulo e voltou a separar os integrantes que considera de direita da ala partidária ligada a Valdemar Costa Neto. “Há pessoas muito boas no PL, sim. O problema é que eles estão completamente infiltrados do Centrão corrupto, fisiológico, que rouba o nosso país há 40 anos. Infelizmente, essa é uma realidade”, concluiu.